quinta-feira, 1 de maio de 2008

VI capítulo - Twyntu

Zapatero sentou-se na secretária e abriu um volumoso livro de capa vermelha. Depois olhou a turma com ar de quem não sabe o que se passa.
- Então, do que estão à espera? – perguntou-lhes, franzindo a testa – Abram o livro na primeira página!
Houve novamente barulho na sala. Os alunos procuravam, um pouco agitados, os livros de poções. Zapatero levantou-se e sentou-se em cima da mesa, ainda com o livro na mão.
- Muito bem! – continuou, observando que todos os alunos já haviam aberto os livros – Estão a ver essa imagem que têm na primeira página da matéria?
Todos anuíram, olhando depois mais pormenorizadamente para a imagem. Esta era um leão enorme, com uma juba imensamente grande. Fora desenhado na sua postura mais digna, na qual se apresentava sentado e orgulhosamente direito.
- Bem, algum de vós me sabe explicar que criatura é esta? – perguntou o professor, olhando mais uma vez para os alunos.
A mão de Rose esticou-se mais uma vez. Zapatero deu ordem para que esta falasse.
- Este leão é um Yxolgion, professor! Um Yxolgion é um leão extremamente inteligente que possui a estranha capacidade de dar força física a quem lha pede, desde que quem lha peça tenha algo para lhe oferecer. A sua existência foi descoberta há muitos anos por Godrick Gryffindor, que aproveitando o soberbo poder que este ostentava, o usou como símbolo da equipa Gryffindor, da qual faço parte.
- Espantoso! – disse Zapatero, animado e surpreendido pela prontidão com que Rose se explicara – Nem eu teria dado tal resposta! Muito bem, muito bem mesmo! Parabéns, Miss...
- Miss Weasley! – completou-o Rose, muito corada.
- Miss Weasley! Muito bem! – continuou, com risinhos nervosos, ajeitando os óculos de fundo de garrafa no nariz.
Enquanto Zapatero continuava com os seus elogios, os Slytherin, mais propriamente o Connor e a Alexandra, iam gozando com a forma ansiosa como Rose respondia. Nesse momento Zapatero olhou para eles e deu-lhes um sermão, retirando aos Slytherin dez pontos por “excesso de inveja”, como ele mesmo disse. Seguidamente, recompôs-se e voltou à matéria.
- Bem, os Yxolgion, como a vossa colega vos informou, - olhou sorridente (com os enormes dentes que tinha) pra Rose - são criaturas fantásticas que dão força a quem lha pede. Certamente estarão a perguntar-se por que razão vos estou a falar desta criatura, visto que não tem nada a ver com Poções. A verdade é que há muitos anos que os feiticeiros estudam este leão, pois acreditam que no seu sangue corre algo mais que magia, digamos uma certa substância que o torna tão poderoso. No entanto como não conseguiram ainda descobrir qual é, têm usado o próprio sangue do animal em certas poções curativas ou regenerativas que muitas vezes usamos no nosso dia a dia. Por exemplo, a poção da gripe, é produzida em grande parte pelo sangue do leão, - na turma ouviram-se sons enojados dos alunos habituados a tomar a poção da gripe - mas muitas pessoas não reparam nisso pois a sua cor varia entre um azul-escuro e um roxo mais claro. – continuou ainda mais sorridente - Muito bem, agora que já sabem alguma mais alguma coisita, vamos começara a trabalhar, ‘tá bem? – dito isto, abriu uma porta atrás de si, entrou por ela, e voltou carregando nos braços dezassete frascos de vidro com sangue de Yxolgion. Pousou-os em cima da mesa e disse aos alunos que fossem lá buscar todos um pouco, e deitarem-no nos caldeirões. Os alunos assim o fizeram. Deu depois indicações para que misturassem certos ingredientes e que mexessem sem parar no sentido dos ponteiros do relógio. Quando acabaram um cheiro nauseabundo percorria a sala. O professor examinava calmamente todos os caldeirões, criticando as poções que cada um tinha feito. Ninguém tinha produzido bem a poção, à excepção de Rose que voltou a ser felicitada pelo professor. Quando a campainha tocou para o almoço, Rose, Scorpius, Albus e Claire, saíram da sala directos ao Salão. Chegados lá, Scorpius despediu-se dos outros e foi juntar-se à mesa da sua equipa. Albus sentou-se ao lado de Claire e conversaram sobre Herbologia enquanto Rose falava com Niamh e lhe perguntava como estava a sua mini Dionaea. Acabaram de comer e, visto terem um tempo livre antes da próxima aula, decidiram sentar-se lá fora, na relva, ao pé do lago. O céu estava limpo e calmo, e o dia quente. Rose tentava ensinar ao primo o feitiço de invocação, mostrando-lhe como conseguia invocar uma pedra a uns cinco metros de distância.
- Não, Albus, não é assim... – disse enquanto agitava o braço direito para a esquerda – Mas assim! – afirmou agitando-o num círculo. – E é Accio! Não Acio!
- Oh, prima, como é que queres que eu consiga se só sabes meter-te à minha frente quando tento invocar algo?! – interrogou-a enquanto a desviava da sua frente. Voltou a tentar mas continuava sem conseguir.
- Digo-te, ou me deixas ajudar-te, ou nunca vais conseguir fazê-lo! – dizia-lhe Rose.
Enquanto isso Scorpius e Claire tinham-se sentado ao pé de uma árvore muito grande rodeada de pedras.
- Então ainda não viste a tua mãe? – perguntou Scorpius, enquanto observava os amigos a discutir.
- Nah... Mas também...ela não me parece muito interessada em vir ver-me. – respondeu-lhe Claire, um pouco triste.
- Se calhar anda muito ocupada... – tentou justificar Scorpius.
- Sim, ocupada a educar os filhos dos outros...
- Não digas isso, Claire...
- Olha, não leves a mal, mas neste momento eu não quero falar sobre isso. – disse-lhe ela com ar novamente triste.
Claire não disse mais nada, e Scorpius também não insistiu. O tempo livre deles acabou e a campainha tocou mais uma vez e eles dirigiram-se para o jardim da casa de Hagrid. A próxima aula era defesa contra as criaturas mágicas, uma disciplina que Albus sabia ir adorar, visto que Hagrid e ele passavam o Verão a descobrir novas criaturas no quintal. Como Albus desconfiava, Hagrid levara, para apresentar aos alunos, um Biwnell. Um Biwnell, como Hagrid lhes explicara, era um tipo de corsa branca, com oito hastes negras. Era um animal passivo, cuja principal função era guiar qualquer um a qualquer lugar. Albus, assim que viu o Biwnell, não resistiu a fazer-lhe festas no lombo, ao que este correspondeu lambuzando-lhe a cara. Dali partiram para o castelo, em direcção ao sexto andar para a última aula, a de Defesa Contra a Magia Negra. Mais uma vez desviaram-se do quadro da noiva que ao avistar Albus, começou a chorar num pranto. Chegaram a uma sala alta e muito espaçosa, toda ela decorada com materiais soturnos, como caveiras e uma espécie de caixões de madeira. Atravessaram a grande sala e sentaram-se na segunda fila de cadeiras. Esperaram pelo professor mas ele não aparecia. Então alguns alunos começaram a brincar uns com os outros. Ninguém deu pelo tempo passar, e só quando Albus olhou para o relógio e viu que o professor já devia ter chegado à quase uma hora, é que todos se aperceberam de que algo não estava bem. Nesse preciso momento, Vinicius entrou acompanhado pela professora Somnolens, que os preparara no dia anterior para a selecção. Vinicius vinha com uma cara desesperada e a professora tinha os finos lábios comprimidos como se estivesse num duelo de pensamentos. A barulheira cessou muito rapidamente na sala. A professora e Vinicius esperaram que todos eles se sentassem nos lugares.
- Como já devem ter reparado, - começou ela, vendo mais calmos os alunos - o professor Driolius Tomson, vosso professor de Defesa contra a magia Negra, não apareceu. Na verdade, não apareceu nem vai aparecer.
Como era habitual, os burburinhos começaram a elevar-se.
- Professora – começou uma aluna dos Slytherin – Porque não veio o professor dar-nos aula?
- O professor Driolius não vos pôde dar a aula porque... – porém parou a meio da frase e olhou para Vinicius que retribuiu o olhar. Continuou. – Porque apanhou uma febre de estiópato e está a ser tratado pela Madame Pomfret na enfermaria.
Desta vez o murmurinho foi ainda mais audível e vozes a perguntar “Como terá ele apanhado estiópato?” ou “ E se ele morrer e todos nós ficarmos com estiópato” ecoavam na sala. Sem mais demoras e, vendo os alunos exaltarem-se, Melodora ordenou que todos eles regressassem às suas salas comuns e que descansassem, visto não terem mais aulas durante o dia. Todos obedeceram e já na sala comum os comentários começaram a ganhar forma.
Albus e Rose deixaram-se ficar sentados nas duas poltronas a olhar para a lareira.
- Achas que o professor está mesmo doente? – perguntou, baixinho Albus à prima.
- Não sei.– respondeu-lhe ela pensativa – Mas caso o esteja, não pode ser de estiópato.
- Porque dizes isso, Rose? – perguntou-lhe agora mais curioso.
Rose aproximou-se um pouco mais dele e falou-lhe ainda mais baixinho.
- O estiópato é uma doença que só existe no Brasil e cuja cura são lágrimas de fénix. Depois de seres mordido pelo twyntu, o “bicho” do estiópato, só tens uma semana de vida!
- Então? Ele pode ter ido ao Brasil e ter sido mordido por esse bicho!
- Não, isso é impossível!
Albus suspirou, carrancudo. Odiava quando a prima se limitava a dizer “Isso é impossível” a quase tudo o que ele dizia.
- Então, vá! Explica-me porquê!
- Porque o twyntu é um bicho que só ataca muggles.
- O quê? – perguntou-lhe Albus, ainda mais confuso. Nunca ouvira falar de um animal que só atacava muggles.
- O twyntu detesta o sangue dos feiticeiros...acho que sabemos de forma diferente dos muggles... O estiópato é uma doença característica deles.
- Não percebo...As Fénix só existem no nosso mundo! Como é que os muggles se salvam, então?
- Muitas vezes não se safam...isto é...grande parte das vezes... – afirmou Rose com ar triste. – Mas o Departamento de Cura para Muggles já os consegue salvar, pelo menos a maioria.
Albus encostou-se ainda mais na sua poltrona de costas altas. As conversas que envolviam muggles sempre o transtornaram. Se a magia existia, porque não usá-la para os ajudar?

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