quinta-feira, 1 de maio de 2008

IV capítulo - Conflito no Salão Nobre

Albus acordou quase tão ansioso como quando adormecera. A excitação de um novo e promissor dia fizera-o acordar mais cedo do que todos os outros rapazes que ainda ressonavam. Levantou-se e vestiu-se. Avançou para a porta em bicos de pé e saiu do quarto. Fechou-a atrás de si o mais silenciosamente e desceu as escadas em caracol a correr. Chegando à sala de convívio, reparou que, ao contrário do que pensara, não fora o primeiro a acordar. Três raparigas estavam já na sala, sentadas no sofá grande a conversar animadamente. Uma delas era Rose que vestia ainda o roupão e cujo cabelo volumoso estava atado em rabo de cavalo.
- Olá, Albus! – cumprimentou animadamente, levantando-se do sofá para vir falar ao primo. Depois tentou levá-lo para ao pé das raparigas, ao que ele recusou.
- Anda, vem... – insistiu ela, puxando-o pelo braço. – Vá, elas não mordem!
Albus tentou resistir mas a prima apanhando-lhe o braço a jeito, conseguiu fazê-lo sentar-se ao seu lado.
Uma das raparigas era morena, um pouco mais baixa que todos eles e tinha algumas sardas nas bochechas e no nariz. A outra era loira e tinha uns olhos azuis parecidos com o mar que se destacavam maravilhosamente da pele clara e suave. Albus não pode deixar de olhar atentamente para ela.
- Albus – começou Rose, apontando para a morena – Esta é a Zoe Daffenson...
ALbus disse-lhe um breve “olá” e sorriu.
- E esta é a Niamh Dursley.
Albus esboçou um sorriso ainda maior e fitou-a ainda durante mais tempo.
– E este aqui é o meu priminho, Albus Potter. – acabou por fim. Depois tentou disfarçar a atenção que este demonstrava sentir por Niamh e meteu conversa com ele – Então, primo...O que se passou para te levantares tão cedo hoje? Caíste da cama, foi?
- Não, priminha...Apeteceu-me levantar-me mais cedo. – respondeu-lhe ele com ar de gozo.
Rose vendo que nem mesmo assim ele desprendia os olhos de Niamh resolveu mudar de táctica.
- Bem, – disse, olhando para o relógio – já são quase oito horas...Acho que já devem ter aberto o Salão Nobre...podemos ir tomar o pequeno-almoço.
Esperaram que Rose se acabasse de vestir e não tardaram a passar pelo quadro da Dama Gorda.
- Tão cedo?! – perguntou ela enquanto se voltava a posicionar no seu lugar.
- Sim...Ah, Dama Gorda, poderia dizer-nos se o Salão Nobre já está aberto? – perguntou-lhe timidamente Rose.
- Oh, sim, querida, sim....O Salão Nobre abre logo que aparece por lá alguém com fome. – disse, contente por dar uma informação.
- Oh, obrigada.
- De nada, querida!
Avançaram um pouco mais e, chegando à escadaria, Rose, como sempre, muito, atenta, lembrou-os para que pensassem sem dúvidas no sítio para onde queriam ir. Desceram as escadas e passaram pelo quadro da rapariga vestida de noiva.
- Então, menino – disse ela novamente para Albus – já tens nome?
Albus seguiu em frente sem sequer lhe responder. No entanto Rose, comovida pela jovem tentou meter conversa com ela.
- Sai daqui! – gritou-lhe o quadro – Não quero saber o teu nome e sim o dele!
Rose afastou-se dela muito zangada pela forma como esta a tratara. Seguiu os amigos que já iam um pouco mais à frente.
Albus falava divertidamente com Niamh.
- Então e o que fazem os teus pais? – perguntava-lhe ele despenteando o cabelo e pondo as mãos nos bolsos.
- Oh, o meu pai é muggle e trabalha numa fábrica de brocas com o meu avô, e a minha mãe é vendedora numa loja de varinhas.
- Numa loja de varinhas? Por acaso não é na Dryonarah?
- É sim! A melhor fabricante de varinhas, de momento... Já está muito velha, mas não perde a vontade de trabalhar...
Chegaram sem mais atrasos ao Salão Nobre. Quando a porta se abriu para os deixar entrar, as mesas esperavam-nos carregadas de comida. À excepção de duas gémeas dos Hufflepuff, um rapaz loiro e pálido estava sentado a ler uma revista de cor azul berrante. Albus foi a correr ter com ele e sentou-se mesmo ao seu lado.
- Então, Scorpius, também te levantas-te cedo?
- Ya... Ainda me dói o corpo da caminhada de ontem mas estava tão ansioso que começasse o dia, que nem consegui ficar na cama durante muito tempo.
- E os Slytherin...como é que são? – perguntou-lhe enquanto pegava num croissant com manteiga.
- Alguns são simpáticos, muito simpáticos até. Mas há outros... – no entanto não continuou a frase.
Albus persistiu.
- Conta lá....O que é que eles fizeram?
- Não foi o que fizeram...foi o que disseram. Uma rapariga do meu ano começou a dizer mal dos Gryffindor, assim sem mais nem menos!
- Oh, já ‘tava à espera disso! O meu irmão já me tinha avisado do conflito que existe entre as nossas equipas...
- Pois eu é que não esperava, embora o meu pai me tivesse advertido para alguma confusão, nunca me tinha dito que ía ser assim...
Albus viu o amigo ficar desanimado e tentou dar-lhe a volta.
- Vá lá! Não fiques assim...Vê só: nós conhecemo-nos ontem e já ficámos amigos, logo o problema não é nosso, é deles!
Riram-se daquela conclusão e Albus convenceu Scorpius a vir juntar-se a ele na mesa dos Gryffindor. Eram já oito e meia, mas ainda não aparecera mais ninguém. Rose, Zoe e Niamh comiam calmamente enquanto falavam das aulas que iam ter.
- Ouvi dizer que vamos ter aulas juntos. – lembrou-se Albus de dizer a Scorpius – Já viste...imagina: nós os dois juntos numa sala...Vai ser de morrer a rir!
Riram-se mais uma vez e as raparigas olharam para eles como se lhes tivesse dado um ataque qualquer. Claire apareceu nesse preciso momento e sentou-se à mesa. Meteu conversa com Rose e esta apresentou-a às novas amigas. Aparentemente a discussão que haviam tido no dia anterior não tivera o mínimo efeito se não o de as unir ainda mais. Claire reparou entretanto na revista que Scorpius enrolara na mão.
- Oh isso é a Voz Delirante? – questionou-o tremendamente interessada.
- É...é, sim. – respondeu-lhe Scorpius que fora apanhado de surpresa.
- Oh, qual é a edição?
- É a... – desenrolou-a e procurou o número – é a três mil, duzentos e dois!
- Ah, podias emprestar-ma só por um bocadinho? – pediu. Scorpius estendeu-lha e ela perguntou ainda – É nesta edição que falam dos Bicórnius devoradores de pedra?
- É, sim! – respondeu-lhe prontamente Scorpius.
- Ah o meu avô bem que me avisou que iam sair... – afirmou enquanto desfolhava a Voz Delirante muito rapidamente.
- Como é que o teu avô sabia? – indagou Scorpius.
- O meu avô é o dono da Voz Delirante!
- A sério? Uau! Deves poder ler sempre as edições mesmo antes delas saírem... – constatou ele.
- Nah! Nem sempre...só quando são grandes edições. Eu moro com a minha bisavó e ela não gosta muito que eu leia a revista...
Foi interrompida subitamente por uma voz muito esganiçada e irritante que se aproximava deles. Olharam e viram uma rapariga morena acompanhada por um grupinho a sentar-se à mesa dos Slytherin. Ela e um outro rapaz do seu grupo olharam para Scorpius e levantaram-se vindo ter à mesa dos Gryffindor.
- Anda daí, Malfoy! Sai de ao pé da escumalha nojenta! – afirmou a rapariga fazendo uma cara de enjoada.
- Eu não sei se já reparaste...- disse, levantando-se, Scorpius – que a única escumalha mal cheirosa aqui.... – enfrentou-a com os olhos – és tu, Alexandra!
Ela ficou claramente ofendida.
- Sabes Malfoy, é bom que te dês com gente como nós...- começou o rapaz
- Porquê? – perguntou Scorpius – O que vais fazer, Connor? Obrigar-me a olhar para a tua cara feia?
O rapaz tirou a varinha do bolso e apontou-a a Scorpius. Uma luz azul acertou em cheio na mão de Connor que gritou de dor. Todos olharam para a origem daquela luz. Vinicius acabara de entrar no salão e apontava agora para a rapariga que também sacara da sua.
- É melhor pensares bem no que vais fazer! Eu sei mais feitiços do que tu. – advertiu-a, olhando penetrantemente nos olhos.
A rapariga vendo que estava em desvantagem baixou o braço e regressou à sua mesa mais o amigo que ainda esfregava a mão. Vinicius falou alegremente para um rapaz de pele escura que envergava o manto com o escudo dos Slytherin e que se juntara a ele.
- Nathan, acho que tens de ter cuidado com esses teus meninos...
O rapaz riu também um pouco e depois, falando um pouco mais alto, disse para a equipa dos Slytherin.
- Eu disse-vos ontem que não se iriam dar bem a fazer a vida negra aos vossos colegas...Eu disse-vos! – depois deu um aperto de mão a Vinicius.
- Então não vens tomar o pequeno-almoço? - perguntou-lhe este.
- Nah...tenho de ir ter com a Jodie. Sabes como é que ela é...Adeus, fica bem!
E saiu pela porta. Vinicius veio juntar-se então a eles.
- Não te chegaram a fazer mal pois não? – perguntou preocupado a Scorpius.
- Não, nem me tocaram!
- Ainda bem...Desculpa lá, mas tens ali uns coleguinhas...
- Eu sei...são bons, não são? – respondeu-lhe ironicamente Scorpius. Riram-se mais um bocado.
- Bem, mudando de assunto...Tenho aqui os vossos horários! – declarou enquanto os tirava da mochila que trouxera às costas. – normalmente são os professore que os entregam, - continuou enquanto entregava os horários – mas este ano cortaram-se...Eu queria um voluntário para ir colar um ou dois destes horários na nossa sala de convívio... – Rose e Claire ofereceram-se e partiram imediatamente.
- Bem...parece que a nossa primeira aula é com o pai da Claire... – disse Albus a Scorpius vendo que iam ter Herbologia enquanto punham as malas às costas. Saíram para a rua e, através das indicações que Vinicius lhes tinha dado, chegaram à estufa muito rapidamente. Foram os primeiros a entrar e puseram logo as malas em cima da mesa. Neville ainda não tinha chegado e eles sentaram-se nas cadeiras, um ao lado do outro. De um momento para o outro Albus começou-se a rir às gargalhadas. Scorpius perguntou-lhe do que é que ele se estava a rir, e ria-se também embora não soubesse de quê. Albus disse-lhe apenas, tentando imitá-o:
- O que vais fazer, Connor? Obrigar-me a olhar para a tua cara feia?
E riram-se os dois a bandeiras despregadas.

Sem comentários: