-O que foi, Rose?- perguntou-lhe Albus, quando tinham acabado de descobrir um compartimento vazio. Rose estava um pouco taciturna desde que tinham deixado os pais na estação 9 ¾ , que se mostrava cada vez mais longe, até desaparecer.
-Humm...Achas que este ano nos vai correr bem, Albus?- perguntou-lhe sentando-se ao pé da janela.
- Não sei, priminha. Mas ‘tas preocupada com isso, agora? Rose, ainda nem chegamos à escola, portanto tem calma, sim?!
-É que..sabes, a minha mãe...ela diz que é para eu não querer saber tudo logo de uma vez, como ela fez...ela disse-me para eu ter calma, mas é tão difícil e como tu dizes ainda nem chegamos à escola...
- Uou, prima, tem calma! ‘Tás a deixar-me confuso, pá!
De repente a porta do compartimento abriu-se e nele entrou um rapaz loiro e da mesma idade que eles.
-Ola...ah desculpem...eu posso sentar-me com vocês?- perguntou timidamente.
- Claro que podes...senta-te! – disse, animado, Albus.
Rose parecia demasiado distraída a ler o livro “Conhecimentos de Magia” para reparar na chegada do rapaz. Este sentou-se ao lado de Albus, e ele não perdeu tempo e meteu logo conversa.
- Então...tu és o Scorpius Malfoy, não és? – perguntou sorridente.
- Sim, sou...porquê?
- Por nada...O meu pai falou-me muito no teu. – afirmou recostando-se no banco.
- A sério? – questionou-o Scorpius – E quem é o teu pai?- perguntou-lhe secamente.
-O meu pai é Harry Potter. – Afirmou Albus
- Ah! – entusiasmou-se Scorpius –O meu pai também me falou do teu! E então, como te chamas?
-Chamo-me Albus...O teu nome é mesmo Scorpius? – perguntou-llhe, não conseguindo disfarçar um sorriso que lhe aflorou os lábios.
Scorpius, em vez de levar a mal, sorriu também.
- É. Os meus pais têm gostos esquisitos!
Quando acabou de dizer estas palavras, eis que a porta do compartimento se volta a abrir e por ela entra uma rapariga com olhos sonhadores cor de mel e cabelo loiro penteado numa só trança.
- Olá, Claire! – saudou vivamente Rose, fazendo sinal para que ela se sentasse ao seu lado. Começaram rapidamente a conversar, pelo que Rose se esqueceu daquilo que estava a ler.
Scorpius fitou a rapariga durante algum tempo até que Rose os resolveu apresentar.
- Claire, este aqui é...- mas estacou e olhou para Malfoy – desculpa, como é mesmo o teu nome?
- Scorpius...O meu nome é Scorpius Malfoy.
-Pois...Scorpius Malfoy. – depois apontou para a rapariga ao seu lado. – Esta aqui é Claire Longbottom, e eu, - continuou, agora apontando para si - desculpa não me ter apresentado à pouco, mas estava imersa na fabulosa magia que envolve a escola...
-Esta é Rose Weasley! – declarou prontamente Albus, vendo que a prima começava a desviar-se do assunto.
- Ah, o meu pai também me falou muito dos teus.
- Ah, a sério? – questionou-o, curiosa.
- Hum, hum! .- afirmou assentindo com a cabeça. Ouviram um barulho no corredor e Albus e Scorpius levantaram-se para ir ver o que se passava. Abriram a porta e uma senhora muito velha apareceu-lhes trazendo um carrinho cheio de doces e guloseimas. Compraram um pouco de tudo e puseram tudo num assento vago. Divertiram-se a desembrulhar os sapos de chocolate e a mostrarem os cromos, juntamente com Claire, enquanto Rose se perdera novamente na leitura.
- Pois os meus pais são os dois professores de Hogwarts e eu moro com a minha bisavó. – disse Claire enquanto abria um pacote de feijões da Bertie Bott. – costumava vir visitar os meus pais durante o ano lectivo, mas agora vou poder estar com eles a tempo inteiro.
- Deve ser muito difícil não ter os pais por perto todos os dias... – afirmou Scorpius.
- Sim, houve certos momentos que não foram muito fáceis...mas só de saber que agora vou poder estar com eles a tempo inteiro... – e sorrio, mostrando como essa ideia a fazia feliz.
- Eles são professores de quê? – voltou a perguntar-lhe Scorpius.
- O meu pai é professor de Herbologia e a minha mãe é professora de Adivinhação.
- Adivinhação? – inquiriu Malfoy.
- Pois é, Claire, explica lá isso...continuo sem perceber muito bem... – pediu Albus.
- Bem...Adivinhação é uma disciplina em que medes o teu poder psíquico para adivinhares o que vai acontecer no futuro...
- A sério? – interrompeu Malfoy – isso é possível?
- É, claro que é....
- Uma perda de tempo se querem a minha opinião – irrompeu Rose, deixando um pouco livro para comentar, apesar de continuar a lê-lo. – Desculpa que te diga, Claire, mas é o que eu acho...A minha mãe diz, e eu concordo com ela, que o futuro é totalmente imprevisível.
- Rose, então como explicas que a minha mãe tenha adivinhado a queda daquele avião em Londres, han? – perguntou num tom de desafio.
- Tudo tem uma explicação lógica, Claire...Até mesmo eu com os cálculos certos poderia saber que de facto não era um bom dia para o avião levantar voo! – atirou-lhe Rose, enfrentando-a.
- Com cálculos? – Claire ficava cada vez mais nervosa – A minha mãe não fez cálculos e mesmo assim adivinhou-o!
- Pois, mas o meu avô diz que os muggles foram muito parvos em querer pôr uma máquina como aquela no ar, visto que eles têm um sistema de qualquer espécie que indica se é um bom dia para voar ou não...
- Ah sim? Então pergunta ao teu avô quem é que envia o boletim meteorológico certo aos aviões, e vê se eu não tenho razão!
Rose ficou subitamente muito vermelha, característica que herdara do pai. Malfoy e Albus riam-se baixinho daquela discussão enquanto comiam os doces.
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