Rose e Claire não se falaram durante o resto da viagem. Pelo contrário, Scorpius e Albus falavam como se se tivessem conhecido desde sempre.
- Scorpius... – começou Albus – Achas que te posso chamar só Scorp? é que o teu nome é tão difícil de pronunciar...
- Claro que podes!
- Fixe!
-Ei, já começo a ver as torres do castelo... – anunciou Scorpius, olhando pela janela.
- A sério? – perguntou-lhe incrédulo, Albus – Uau! – pronunciou Albus espantado – é mesmo grande, não é?
Começaram a ouvir vozes a pedir que todos vestissem as suas roupas e mantos e que pusessem os seus chapéus de bico. Eles despacharam-se muito depressa e, depois de sentirem o comboio parar, avançaram para o corredor. Depois de muito tempo à espera, conseguiram finalmente sair do comboio. O céu estava carregado de estrelas muito brilhantes e a noite, calma. Uma voz alta e forte ecoou entre todas as outras que se manifestavam à saída do comboio. As quatro crianças olharam para a fonte da voz. Um homem alto, forte e muito barbudo gritava bem alto: “Primeiro ano! Primeiro ano, aqui ao pé de mim! Aqui!”
Albus e Rose chegaram-se mais ao pé do meio gigante e Scorpius e Claire seguiram-lhes as passadas.
- Ora, o qu’é que nós temos’aqui? – perguntou ele muito animado.
- Olá Hagrid! – cumprimentaram animadamente Albus e Rose.
- Olá, pequenotes!
- Pequenotes, não! – retorquiu Albus, mostrando-se um pouco ofendido.
- ‘Tá bem, ‘tá bem... Com’é que foram as férias? – perguntou-lhes enquanto os começava a conduzir por um caminho de terra batida
- Ah, foram boas... – respondeu Albus
- Rose, larga o livro. Ainda vais cair! – avisou Hagrid vendo que Rose continuava a ler apesar de estar a andar.
- Descansa, Hagrid, ela não cai. E mesmo que caísse...nunca ouviste dizer que vazo ruim não quebra?! – declarou Albus, e começou logo a correr com Rose atrás, de livro debaixo do braço.
- Olhem que vocês ‘inda se magoam! – gritou bem alto, apesar de saber que eles não lhe iriam dar atenção. Olhou novamente para baixo e reparou em Claire.
- Então e tu, Claire? Contente por ‘tares finalmente ao pé dos teus pais? – perguntou-lhe enquanto continuava a caminhar, ainda de olho em Albus que continuava a ser perseguido por Rose.
- Sim, muito. Finalmente juntos sem ser nas férias! – afirmou muito contente.
-Ah, iss’é bom, é muito bom...Então e tu, rapaz, como te chamas? – dirigia-se a Scorpius.
- Scorpius Malfoy. – afirmou prontamente.
- Malfoy?! -indagou espantado – Há muito que andava p’ra te conhecer...Como é qu’anda o teu pai? Ainda viaja muito?
- Sim, ainda, quase não pára em casa. – declarou, mostrando-se um pouco triste.
Estavam a chegar a um lago muito vasto, em cuja margem ancoravam sete barcos médios de madeira. Rose corria ainda atrás do primo, mas parou ao ver o castelo agora tão próximo. Albus apercebendo-se de que já não era perseguido tentou seguir o olhar da prima. Um sonoro “ Uau” se ouviu da sua e de muitas outras bocas espantadas.
- Vamos entrem nos barcos e tentem não fazer muito barulho. A lula gigante tem uns ouvidos muito sensíveis!
Logo todos os alunos se apressaram a olhar para a água que, no entanto, se apresentava calma qual lençol estendido ao luar.
- Ele esta a brincar, certo? – perguntou Albus aos outros quando entravam muito apressados no barco.
- Não, não estou, menino Albus...Vá, a mexer, a mexer... Vai mais p’ra frente, Albus!
- Mais que isto? – confrontou-o Albus, visto não poder chegar-se mais para a frente sem correr o risco de cair na água.
Hagrid subiu para o mesmo barco que eles e, sem qualquer ordem, estes começaram a andar. Eram iluminados com uma espécie de lamparina à frente pelo que todos os alunos se aproximaram um pouco da água para tentarem ver o tal monstro.
- Metam a cabeça p’ra dentro, seus abelhudos! – gritou Hagrid a alto e bom som. Como se viesse de um general, todos obedeceram à ordem prontamente e limitaram-se a olhar para a frente. Os barcos eram rápidos e foi, também, muito rapidamente que chegaram à outra margem.
- Bem, - gritou mais uma vez Hagrid – a partir daqui ‘tão entregues ao encarregado Filch, que vos vai guiar até à entrada do castelo.
Todod os alunos olharam para onde Hagrid apontava. Um homem velho, de olhos encovados e de barba cinzenta esperava-os ao pé de umas árvores. Ao colo tinha uma gata também cinzenta muito escanzelada.
- Não tenham medo dele, - apressou-se a dizer Hagrid - ele nã faz mal nenhum a ningém...é só uma pessoa mal disposta, n’é Filch?
- Cala mas é a boca, oh Hagrid, e vai trabalhar! – mandou o homem fazendo toda a gente estremecer.
Hagrid riu-se baixinho.
- Vá, pronto...vou-me embora! – disse bem alto. Depois aproximou-se de Albus, Rose, Scorpius e Claire e murmurou – Encontramo-nos todos no banquete de boas vindas...’té já!
E afastou-se a passos largos pela floresta.
- Estão a ver aquela floresta por onde aquele gigante idiota entrou? – começou Filch - Aquilo é a Floresta Proibida! Quem lá entrar sem autorização tem direito a uma viagem de regresso a casa, han? Bem...
Começaram a andar agora por um caminho de pedra que os levava a umas escadas de mármore. Subiram e entraram no que parecia ser um gigantesco hall de entrada. Filch mandou-os parar e subiu outras escadas, entrando por uma porta um pouco grande, de madeira. Assim que o viram desaparecer todos os alunos, sem excepção, encostaram-se ao corrimão ou sentaram-se nas escadas.
- Chiça...esta caminhada está a ser cansativa....- confessou Albus, que se encostara no corrimão.
- Eu não sei porque é que eles fazem isto... – disse Claire – Afinal, os outros anos vêm sempre nas carruagens para a escola.
- A sério? – perguntaram Scorpius e Allbus ao mesmo tempo.
- Se calhar querem cansar-nos para que não andemos a vaguear por aí, durante a noite... – disse Scorpius.
- Oh isso é impossível! – afirmou Rose.
Albus fez um sinal a Scorpius para que ele se preparasse para uma definição própria da prima.
- Vá, conta lá, priminha!
Rose fez um risinho sarcástico a Albus, mas não se conteve.
- É impossível porque todos os corredores, de há uns tempos para cá, estão cheios de feitiços de alarme que avisam qualquer professor ou funcionário da escola se um aluno está a percorrê-los. Mesmo por entre as salas, quadros foram meticulosamente espalhados para comunicar a presença de alguém que não devia lá estar.
- Ah sim? – perguntou-lhe Albus – Isso é porque não nos conhecem, não é Scorp? – perguntou-lhe piscando o olho, ao que Scorpius acenou.
- Hum...Gostava de vos ver tentar, é que, para além de toda esta protecção, sempre que um aluno é apanhado fora da cama é obrigado a passar uma noite com o Filch na floresta negra, para além de que, faz a sua equipa perder pontos!
- Mas o Filch não disse que era proibido? – perguntou Scorpius tentando lembrar-se do que o encarregado havia dito.
- Não! Ele não disse que era proibido entrar na Floresta Negra, mas sim entrar na Floresta Negra sem autorização. – esclareceu-o ela.
Aporta abriu-se novamente e dela saiu Filch acompanhado por uma mulher alta e esbelta.
- Boa noite! – cumprimentou ela, calmamente ao que os alunos responderam – O meu nome Malodora Somnolens e serei a vossa professora de Transfiguração.
Um rápido murmurinho se espalhou pelo grupo e Albus perguntou a Scorpius:
- Transfiguração é aquela cena em que se transforma uma coisa em outra, não é?
- Agora, vão entrar comigo no salão onde o Chapéu Seleccionador vos dirá quais serão as vossas equipas. Existem quatro equipas em Hoqgwarts: Hufflepuff; Ravenclaw; Slytherin e Gryffindor. Espero que tenham todos um excelente no lectivo. Agora vamos.
E abriu a porta por onde passou muito rapidamente fazendo com que todos tivessem quase que correr para a apanhar.
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