Zapatero sentou-se na secretária e abriu um volumoso livro de capa vermelha. Depois olhou a turma com ar de quem não sabe o que se passa.
- Então, do que estão à espera? – perguntou-lhes, franzindo a testa – Abram o livro na primeira página!
Houve novamente barulho na sala. Os alunos procuravam, um pouco agitados, os livros de poções. Zapatero levantou-se e sentou-se em cima da mesa, ainda com o livro na mão.
- Muito bem! – continuou, observando que todos os alunos já haviam aberto os livros – Estão a ver essa imagem que têm na primeira página da matéria?
Todos anuíram, olhando depois mais pormenorizadamente para a imagem. Esta era um leão enorme, com uma juba imensamente grande. Fora desenhado na sua postura mais digna, na qual se apresentava sentado e orgulhosamente direito.
- Bem, algum de vós me sabe explicar que criatura é esta? – perguntou o professor, olhando mais uma vez para os alunos.
A mão de Rose esticou-se mais uma vez. Zapatero deu ordem para que esta falasse.
- Este leão é um Yxolgion, professor! Um Yxolgion é um leão extremamente inteligente que possui a estranha capacidade de dar força física a quem lha pede, desde que quem lha peça tenha algo para lhe oferecer. A sua existência foi descoberta há muitos anos por Godrick Gryffindor, que aproveitando o soberbo poder que este ostentava, o usou como símbolo da equipa Gryffindor, da qual faço parte.
- Espantoso! – disse Zapatero, animado e surpreendido pela prontidão com que Rose se explicara – Nem eu teria dado tal resposta! Muito bem, muito bem mesmo! Parabéns, Miss...
- Miss Weasley! – completou-o Rose, muito corada.
- Miss Weasley! Muito bem! – continuou, com risinhos nervosos, ajeitando os óculos de fundo de garrafa no nariz.
Enquanto Zapatero continuava com os seus elogios, os Slytherin, mais propriamente o Connor e a Alexandra, iam gozando com a forma ansiosa como Rose respondia. Nesse momento Zapatero olhou para eles e deu-lhes um sermão, retirando aos Slytherin dez pontos por “excesso de inveja”, como ele mesmo disse. Seguidamente, recompôs-se e voltou à matéria.
- Bem, os Yxolgion, como a vossa colega vos informou, - olhou sorridente (com os enormes dentes que tinha) pra Rose - são criaturas fantásticas que dão força a quem lha pede. Certamente estarão a perguntar-se por que razão vos estou a falar desta criatura, visto que não tem nada a ver com Poções. A verdade é que há muitos anos que os feiticeiros estudam este leão, pois acreditam que no seu sangue corre algo mais que magia, digamos uma certa substância que o torna tão poderoso. No entanto como não conseguiram ainda descobrir qual é, têm usado o próprio sangue do animal em certas poções curativas ou regenerativas que muitas vezes usamos no nosso dia a dia. Por exemplo, a poção da gripe, é produzida em grande parte pelo sangue do leão, - na turma ouviram-se sons enojados dos alunos habituados a tomar a poção da gripe - mas muitas pessoas não reparam nisso pois a sua cor varia entre um azul-escuro e um roxo mais claro. – continuou ainda mais sorridente - Muito bem, agora que já sabem alguma mais alguma coisita, vamos começara a trabalhar, ‘tá bem? – dito isto, abriu uma porta atrás de si, entrou por ela, e voltou carregando nos braços dezassete frascos de vidro com sangue de Yxolgion. Pousou-os em cima da mesa e disse aos alunos que fossem lá buscar todos um pouco, e deitarem-no nos caldeirões. Os alunos assim o fizeram. Deu depois indicações para que misturassem certos ingredientes e que mexessem sem parar no sentido dos ponteiros do relógio. Quando acabaram um cheiro nauseabundo percorria a sala. O professor examinava calmamente todos os caldeirões, criticando as poções que cada um tinha feito. Ninguém tinha produzido bem a poção, à excepção de Rose que voltou a ser felicitada pelo professor. Quando a campainha tocou para o almoço, Rose, Scorpius, Albus e Claire, saíram da sala directos ao Salão. Chegados lá, Scorpius despediu-se dos outros e foi juntar-se à mesa da sua equipa. Albus sentou-se ao lado de Claire e conversaram sobre Herbologia enquanto Rose falava com Niamh e lhe perguntava como estava a sua mini Dionaea. Acabaram de comer e, visto terem um tempo livre antes da próxima aula, decidiram sentar-se lá fora, na relva, ao pé do lago. O céu estava limpo e calmo, e o dia quente. Rose tentava ensinar ao primo o feitiço de invocação, mostrando-lhe como conseguia invocar uma pedra a uns cinco metros de distância.
- Não, Albus, não é assim... – disse enquanto agitava o braço direito para a esquerda – Mas assim! – afirmou agitando-o num círculo. – E é Accio! Não Acio!
- Oh, prima, como é que queres que eu consiga se só sabes meter-te à minha frente quando tento invocar algo?! – interrogou-a enquanto a desviava da sua frente. Voltou a tentar mas continuava sem conseguir.
- Digo-te, ou me deixas ajudar-te, ou nunca vais conseguir fazê-lo! – dizia-lhe Rose.
Enquanto isso Scorpius e Claire tinham-se sentado ao pé de uma árvore muito grande rodeada de pedras.
- Então ainda não viste a tua mãe? – perguntou Scorpius, enquanto observava os amigos a discutir.
- Nah... Mas também...ela não me parece muito interessada em vir ver-me. – respondeu-lhe Claire, um pouco triste.
- Se calhar anda muito ocupada... – tentou justificar Scorpius.
- Sim, ocupada a educar os filhos dos outros...
- Não digas isso, Claire...
- Olha, não leves a mal, mas neste momento eu não quero falar sobre isso. – disse-lhe ela com ar novamente triste.
Claire não disse mais nada, e Scorpius também não insistiu. O tempo livre deles acabou e a campainha tocou mais uma vez e eles dirigiram-se para o jardim da casa de Hagrid. A próxima aula era defesa contra as criaturas mágicas, uma disciplina que Albus sabia ir adorar, visto que Hagrid e ele passavam o Verão a descobrir novas criaturas no quintal. Como Albus desconfiava, Hagrid levara, para apresentar aos alunos, um Biwnell. Um Biwnell, como Hagrid lhes explicara, era um tipo de corsa branca, com oito hastes negras. Era um animal passivo, cuja principal função era guiar qualquer um a qualquer lugar. Albus, assim que viu o Biwnell, não resistiu a fazer-lhe festas no lombo, ao que este correspondeu lambuzando-lhe a cara. Dali partiram para o castelo, em direcção ao sexto andar para a última aula, a de Defesa Contra a Magia Negra. Mais uma vez desviaram-se do quadro da noiva que ao avistar Albus, começou a chorar num pranto. Chegaram a uma sala alta e muito espaçosa, toda ela decorada com materiais soturnos, como caveiras e uma espécie de caixões de madeira. Atravessaram a grande sala e sentaram-se na segunda fila de cadeiras. Esperaram pelo professor mas ele não aparecia. Então alguns alunos começaram a brincar uns com os outros. Ninguém deu pelo tempo passar, e só quando Albus olhou para o relógio e viu que o professor já devia ter chegado à quase uma hora, é que todos se aperceberam de que algo não estava bem. Nesse preciso momento, Vinicius entrou acompanhado pela professora Somnolens, que os preparara no dia anterior para a selecção. Vinicius vinha com uma cara desesperada e a professora tinha os finos lábios comprimidos como se estivesse num duelo de pensamentos. A barulheira cessou muito rapidamente na sala. A professora e Vinicius esperaram que todos eles se sentassem nos lugares.
- Como já devem ter reparado, - começou ela, vendo mais calmos os alunos - o professor Driolius Tomson, vosso professor de Defesa contra a magia Negra, não apareceu. Na verdade, não apareceu nem vai aparecer.
Como era habitual, os burburinhos começaram a elevar-se.
- Professora – começou uma aluna dos Slytherin – Porque não veio o professor dar-nos aula?
- O professor Driolius não vos pôde dar a aula porque... – porém parou a meio da frase e olhou para Vinicius que retribuiu o olhar. Continuou. – Porque apanhou uma febre de estiópato e está a ser tratado pela Madame Pomfret na enfermaria.
Desta vez o murmurinho foi ainda mais audível e vozes a perguntar “Como terá ele apanhado estiópato?” ou “ E se ele morrer e todos nós ficarmos com estiópato” ecoavam na sala. Sem mais demoras e, vendo os alunos exaltarem-se, Melodora ordenou que todos eles regressassem às suas salas comuns e que descansassem, visto não terem mais aulas durante o dia. Todos obedeceram e já na sala comum os comentários começaram a ganhar forma.
Albus e Rose deixaram-se ficar sentados nas duas poltronas a olhar para a lareira.
- Achas que o professor está mesmo doente? – perguntou, baixinho Albus à prima.
- Não sei.– respondeu-lhe ela pensativa – Mas caso o esteja, não pode ser de estiópato.
- Porque dizes isso, Rose? – perguntou-lhe agora mais curioso.
Rose aproximou-se um pouco mais dele e falou-lhe ainda mais baixinho.
- O estiópato é uma doença que só existe no Brasil e cuja cura são lágrimas de fénix. Depois de seres mordido pelo twyntu, o “bicho” do estiópato, só tens uma semana de vida!
- Então? Ele pode ter ido ao Brasil e ter sido mordido por esse bicho!
- Não, isso é impossível!
Albus suspirou, carrancudo. Odiava quando a prima se limitava a dizer “Isso é impossível” a quase tudo o que ele dizia.
- Então, vá! Explica-me porquê!
- Porque o twyntu é um bicho que só ataca muggles.
- O quê? – perguntou-lhe Albus, ainda mais confuso. Nunca ouvira falar de um animal que só atacava muggles.
- O twyntu detesta o sangue dos feiticeiros...acho que sabemos de forma diferente dos muggles... O estiópato é uma doença característica deles.
- Não percebo...As Fénix só existem no nosso mundo! Como é que os muggles se salvam, então?
- Muitas vezes não se safam...isto é...grande parte das vezes... – afirmou Rose com ar triste. – Mas o Departamento de Cura para Muggles já os consegue salvar, pelo menos a maioria.
Albus encostou-se ainda mais na sua poltrona de costas altas. As conversas que envolviam muggles sempre o transtornaram. Se a magia existia, porque não usá-la para os ajudar?
quinta-feira, 1 de maio de 2008
V capítulo - Na estufa
Continuavam a rir daquilo que Scorpius dissera a Connor até um homem alto, moreno e cheio de cicatrizes se aproximou deles.
- Com que então já cá estao... – começou ele fazendo-os saltar, pois não o tinham visto. – Ah, ah! Apanhei-vos, han?!
O homem avançou para a secretária que se encontrava à frente das mesas dos alunos. Assim que se sentou, a sala começou a encher-se de pessoas, uns dos Slytherin e outros dos Gryffindor. Claire apareceu radiante na sala e correu aos braços do pai. Ele abraçou-a com carinho.
- Deve ser mesmo difícil ter pais assim, tão ausentes... – comentou Scorpius ao ouvido de Albus.
- É, mas acho que ela já se habituou. – deu-lhe este por resposta.
Neville largou finalmente Claire e, assumindo agora a sua postura de professor, mandou-a para o seu lugar, piscando-lhe o olho. Claire obedeceu-lhe e, quando se sentou, tentou mostrar-se o mais atenta possível.
- Bem... – começou Neville, um tanto ainda emocionado – Antes de mais, bom dia!
Um ruidoso “Bom dia” ecoou na sala, vindo dos alunos.
- O meu nome é Neville Longbottom e serei, nos próximos anos em que aqui ficarem, o vosso professor de Herbologia. Certamente sabem o que quer dizer a palavra Herbologia... – vendo que a maior parte dos alunos se entreolhava em busca de uma resposta, Neville afirmou um pouco mais alto – Mas caso não o saibam, que é o que me parece, podemos pedir à Miss Weasley que nos esclareça, sim?
Rose ficou espantada por Neville se mostrar tão interessado em ouvir a sua explicação.
- Hum hum! – disse, limpando um pouco a voz. – Herbologia é o nome que se dá à disciplina ou área que estuda as ervas, as plantas, as flores, ou até mesmo os animais que se relacionam com a mesma. Através de feitiços de recolha ou captação, ou ainda através da remoção manual do corpo de uma planta, é-nos possível, em Herbologia, verificar se o suco que este contém é benigno ou maligno, isto é se nos cura, ou nos...
- Nos mata! Muito bem, Rose, parabéns! Dez pontos para os Gryffindor. – declarou, sorridente Neville, que escutara Rose com entusiasmo. A turma tinha ouvido Rose, estupefacta. Os Gryffindor admiraram-se com tanta rapidez e certeza em responder, enquanto que alguns dos Slytherin se mostraram apreensivos pela equipa adversária ter conseguido logo dez pontos de uma só virada.
- Agora que já estão esclarecidos pela vossa colega quanto à minha disciplina, quero mostrar-vos uma planta que não é muito conhecida no mundo dos mágicos, mas que os muggles devem conhecer ou pelo menos já devem ter ouvido falar.
Neville entrou num armário que se encontrava atrás de si e saiu de lá com um vaso castanho com uma planta verde por fora e rosa por dentro. A parte rosa da planta era protegida por duas abas verdes, que pareciam lábios, e que estavam revestidos por espinhos também verdes. Pousou-a em cima da mesa e com cuidado para não se picar, acariciou a parte rosa. Rapidamente teve de tirá-la pois a planta atacou como se tivesse sido acordada. Os alunos gritaram de surpresa. Não estavam mesmo nada à espera que a planta ganhasse vida de um momento para o outro.
- Então vamos lá a saber... – começou enquanto virava a planta que abria e fechava a boca para eles. - Qual de vocês sabe que planta é esta?
Ao contrário do que todos esperavam a primeira mão a esticar-se no ar não foi a de Rose. A mão de Claire abanava-se na ânsia de responder. A cara de Rose ficou novamente vermelha.
- Bem, Miss Longbottom...filha – pronunciou um pouco mais baixo esta última palavra – O que tem para me dizer?
Claire ficara boquiaberta com a forma como o pai a tratara. Nunca esperara que ele lhe chamasse “Miss Longbottom”. No entanto, disfarçou os seus pensamentos e, apesar de também um pouco corada, seguiu em frente com a sua resposta.
- Essa planta chama-se Dionaea, e é a única planta mágica carnívora originária no mundo dos Muggles, isto é...ah, é a única que cresce em terra onde não existem feiticeiros...No auge da sua vida, produz um suco muito poderoso que faz qualquer um transformar-se no que desejar! Para além disso... – franzia a testa tentando lembrar-se de mais coisas – Ah! Para além disso, se for tratada com feitiços corre o risco de morrer e de não produzir o suco.
Acabada a explicação Claire ficou a olhar para o pai, como se esperasse que ele a lembrasse de algo que ela esquecera. Contudo, Neville sorriu e afirmou, orgulhoso:
- Mais uma excelente explicação dos Gryffindor! Claire, dez pontos!
Claire sorriu, também orgulhosa de si mesma. Neville prosseguiu com a análise da planta. Depois de lhes ensinar o nome de cada parte da planta, pediu que um a um viessem tentar acalmá-la. Albus aproximou-se dela, mas como teimava em meter-lhe a mão na parte cor de rosa, que eles ficaram a saber ser a boca, só a conseguiu irritar mais. Scorpius, Rose e até Claire, que percebia muito de plantas, tentaram sem sucesso. Já todos, inclusive Neville, tinham, desistido de a acalmar quando esta relaxou nas mãos de Niamh. Neville, satisfeito com a prestação desta disse que tinha uma surpresa para ela no final da aula. Assim, quando a aula terminou, Niamh saiu para a rua com uma miniatura de Dionaea, que parecia ainda adormecida. Porém Albus, Scorpius, Rose e Claire ficaram na estufa.
- Muito bem, meninos...Muito bem! – apreciou Neville enquanto mudava a Dionaea grande, do vaso castanho para um amarelo. – E tu, Claire....sempre leste aquele livro que te enviei!
Claire sorriu mas depressa baixou a cabeça. Neville, preocupado, baixou-se para ela e perguntou-lhe o que se passava. Contudo ela disfarçou mais uma vez e disse que estava tudo bem. Esperaram pelo pai de Claire e, juntos, regressaram finalmente à escola. Neville disse que os levava a ver a escola antes do intervalo acabar, só que se lembrou de algo que tinha que fazer na biblioteca, e tiveram de adiar o “passeio”. Scorpius reparou que Claire estava ainda mais calada depois disso e tentou perguntar-lhe o que se passava, mas ela esquivou-se novamente dizendo que estava ansiosa por começar a escola. A campainha tocou e eles voltaram a consultar o horário. Iam ter poções nas masmorras e, por isso, começaram a andar. Desceram as escadas e repararam que as paredes, que nos outros andares eram acolhedoras, ali estavam despidas de qualquer calor.
- Ali é a sala comum da minha equipa! – disse Scorpius apontando para uma porta ladeada por duas tochas bem acesas. – Portanto, a sala de poções deve ser por aqui... – continuou abrindo uma porta mais à esquerda. No entanto, essa porta fora dar a um outro corredor. Eles seguiram esse corredor e foram dar, finalmente, à sala. Nela já se encontravam alguns alunos de Slytherin. Estavam a conversar animadamente e a treinar feitiços que haviam aprendido com os colegas mais velhos. Scorpius apresentou-os aos amigos e juntaram-se todos a mostrar o que sabiam de magia. Rose espantou todos mostrando como já sabia fazer o feitiço de escudo invisível, um feitiço demasiado avançado para a sua idade. Começavam a chegar mais pessoas e eles resolveram sentar-se. A porta abriu-se e, desta vez, em vez de mais alunos, entrou um homem alto e ruivo, de barba comprida. O homem pôs-se atrás de um caldeirão preto e desejou bem alto os “Bons dias”.
- O meu nome é Zapatero Tryonara, e vou ser, se cá ficar e não morrer prematuramente, o vosso “stôr” de Poções!
Um leve burburinho percorreu sala. “ Ele disse stôr?!” perguntavam-se todos uns aos outros. Nenhum deles esperara encontrar alguém assim, tão estranho, na escola, muito menos que esse alguém fosse um professor. Naquele momento, até Rose não conseguiu suster a surpresa.
- Com que então já cá estao... – começou ele fazendo-os saltar, pois não o tinham visto. – Ah, ah! Apanhei-vos, han?!
O homem avançou para a secretária que se encontrava à frente das mesas dos alunos. Assim que se sentou, a sala começou a encher-se de pessoas, uns dos Slytherin e outros dos Gryffindor. Claire apareceu radiante na sala e correu aos braços do pai. Ele abraçou-a com carinho.
- Deve ser mesmo difícil ter pais assim, tão ausentes... – comentou Scorpius ao ouvido de Albus.
- É, mas acho que ela já se habituou. – deu-lhe este por resposta.
Neville largou finalmente Claire e, assumindo agora a sua postura de professor, mandou-a para o seu lugar, piscando-lhe o olho. Claire obedeceu-lhe e, quando se sentou, tentou mostrar-se o mais atenta possível.
- Bem... – começou Neville, um tanto ainda emocionado – Antes de mais, bom dia!
Um ruidoso “Bom dia” ecoou na sala, vindo dos alunos.
- O meu nome é Neville Longbottom e serei, nos próximos anos em que aqui ficarem, o vosso professor de Herbologia. Certamente sabem o que quer dizer a palavra Herbologia... – vendo que a maior parte dos alunos se entreolhava em busca de uma resposta, Neville afirmou um pouco mais alto – Mas caso não o saibam, que é o que me parece, podemos pedir à Miss Weasley que nos esclareça, sim?
Rose ficou espantada por Neville se mostrar tão interessado em ouvir a sua explicação.
- Hum hum! – disse, limpando um pouco a voz. – Herbologia é o nome que se dá à disciplina ou área que estuda as ervas, as plantas, as flores, ou até mesmo os animais que se relacionam com a mesma. Através de feitiços de recolha ou captação, ou ainda através da remoção manual do corpo de uma planta, é-nos possível, em Herbologia, verificar se o suco que este contém é benigno ou maligno, isto é se nos cura, ou nos...
- Nos mata! Muito bem, Rose, parabéns! Dez pontos para os Gryffindor. – declarou, sorridente Neville, que escutara Rose com entusiasmo. A turma tinha ouvido Rose, estupefacta. Os Gryffindor admiraram-se com tanta rapidez e certeza em responder, enquanto que alguns dos Slytherin se mostraram apreensivos pela equipa adversária ter conseguido logo dez pontos de uma só virada.
- Agora que já estão esclarecidos pela vossa colega quanto à minha disciplina, quero mostrar-vos uma planta que não é muito conhecida no mundo dos mágicos, mas que os muggles devem conhecer ou pelo menos já devem ter ouvido falar.
Neville entrou num armário que se encontrava atrás de si e saiu de lá com um vaso castanho com uma planta verde por fora e rosa por dentro. A parte rosa da planta era protegida por duas abas verdes, que pareciam lábios, e que estavam revestidos por espinhos também verdes. Pousou-a em cima da mesa e com cuidado para não se picar, acariciou a parte rosa. Rapidamente teve de tirá-la pois a planta atacou como se tivesse sido acordada. Os alunos gritaram de surpresa. Não estavam mesmo nada à espera que a planta ganhasse vida de um momento para o outro.
- Então vamos lá a saber... – começou enquanto virava a planta que abria e fechava a boca para eles. - Qual de vocês sabe que planta é esta?
Ao contrário do que todos esperavam a primeira mão a esticar-se no ar não foi a de Rose. A mão de Claire abanava-se na ânsia de responder. A cara de Rose ficou novamente vermelha.
- Bem, Miss Longbottom...filha – pronunciou um pouco mais baixo esta última palavra – O que tem para me dizer?
Claire ficara boquiaberta com a forma como o pai a tratara. Nunca esperara que ele lhe chamasse “Miss Longbottom”. No entanto, disfarçou os seus pensamentos e, apesar de também um pouco corada, seguiu em frente com a sua resposta.
- Essa planta chama-se Dionaea, e é a única planta mágica carnívora originária no mundo dos Muggles, isto é...ah, é a única que cresce em terra onde não existem feiticeiros...No auge da sua vida, produz um suco muito poderoso que faz qualquer um transformar-se no que desejar! Para além disso... – franzia a testa tentando lembrar-se de mais coisas – Ah! Para além disso, se for tratada com feitiços corre o risco de morrer e de não produzir o suco.
Acabada a explicação Claire ficou a olhar para o pai, como se esperasse que ele a lembrasse de algo que ela esquecera. Contudo, Neville sorriu e afirmou, orgulhoso:
- Mais uma excelente explicação dos Gryffindor! Claire, dez pontos!
Claire sorriu, também orgulhosa de si mesma. Neville prosseguiu com a análise da planta. Depois de lhes ensinar o nome de cada parte da planta, pediu que um a um viessem tentar acalmá-la. Albus aproximou-se dela, mas como teimava em meter-lhe a mão na parte cor de rosa, que eles ficaram a saber ser a boca, só a conseguiu irritar mais. Scorpius, Rose e até Claire, que percebia muito de plantas, tentaram sem sucesso. Já todos, inclusive Neville, tinham, desistido de a acalmar quando esta relaxou nas mãos de Niamh. Neville, satisfeito com a prestação desta disse que tinha uma surpresa para ela no final da aula. Assim, quando a aula terminou, Niamh saiu para a rua com uma miniatura de Dionaea, que parecia ainda adormecida. Porém Albus, Scorpius, Rose e Claire ficaram na estufa.
- Muito bem, meninos...Muito bem! – apreciou Neville enquanto mudava a Dionaea grande, do vaso castanho para um amarelo. – E tu, Claire....sempre leste aquele livro que te enviei!
Claire sorriu mas depressa baixou a cabeça. Neville, preocupado, baixou-se para ela e perguntou-lhe o que se passava. Contudo ela disfarçou mais uma vez e disse que estava tudo bem. Esperaram pelo pai de Claire e, juntos, regressaram finalmente à escola. Neville disse que os levava a ver a escola antes do intervalo acabar, só que se lembrou de algo que tinha que fazer na biblioteca, e tiveram de adiar o “passeio”. Scorpius reparou que Claire estava ainda mais calada depois disso e tentou perguntar-lhe o que se passava, mas ela esquivou-se novamente dizendo que estava ansiosa por começar a escola. A campainha tocou e eles voltaram a consultar o horário. Iam ter poções nas masmorras e, por isso, começaram a andar. Desceram as escadas e repararam que as paredes, que nos outros andares eram acolhedoras, ali estavam despidas de qualquer calor.
- Ali é a sala comum da minha equipa! – disse Scorpius apontando para uma porta ladeada por duas tochas bem acesas. – Portanto, a sala de poções deve ser por aqui... – continuou abrindo uma porta mais à esquerda. No entanto, essa porta fora dar a um outro corredor. Eles seguiram esse corredor e foram dar, finalmente, à sala. Nela já se encontravam alguns alunos de Slytherin. Estavam a conversar animadamente e a treinar feitiços que haviam aprendido com os colegas mais velhos. Scorpius apresentou-os aos amigos e juntaram-se todos a mostrar o que sabiam de magia. Rose espantou todos mostrando como já sabia fazer o feitiço de escudo invisível, um feitiço demasiado avançado para a sua idade. Começavam a chegar mais pessoas e eles resolveram sentar-se. A porta abriu-se e, desta vez, em vez de mais alunos, entrou um homem alto e ruivo, de barba comprida. O homem pôs-se atrás de um caldeirão preto e desejou bem alto os “Bons dias”.
- O meu nome é Zapatero Tryonara, e vou ser, se cá ficar e não morrer prematuramente, o vosso “stôr” de Poções!
Um leve burburinho percorreu sala. “ Ele disse stôr?!” perguntavam-se todos uns aos outros. Nenhum deles esperara encontrar alguém assim, tão estranho, na escola, muito menos que esse alguém fosse um professor. Naquele momento, até Rose não conseguiu suster a surpresa.
IV capítulo - Conflito no Salão Nobre
Albus acordou quase tão ansioso como quando adormecera. A excitação de um novo e promissor dia fizera-o acordar mais cedo do que todos os outros rapazes que ainda ressonavam. Levantou-se e vestiu-se. Avançou para a porta em bicos de pé e saiu do quarto. Fechou-a atrás de si o mais silenciosamente e desceu as escadas em caracol a correr. Chegando à sala de convívio, reparou que, ao contrário do que pensara, não fora o primeiro a acordar. Três raparigas estavam já na sala, sentadas no sofá grande a conversar animadamente. Uma delas era Rose que vestia ainda o roupão e cujo cabelo volumoso estava atado em rabo de cavalo.
- Olá, Albus! – cumprimentou animadamente, levantando-se do sofá para vir falar ao primo. Depois tentou levá-lo para ao pé das raparigas, ao que ele recusou.
- Anda, vem... – insistiu ela, puxando-o pelo braço. – Vá, elas não mordem!
Albus tentou resistir mas a prima apanhando-lhe o braço a jeito, conseguiu fazê-lo sentar-se ao seu lado.
Uma das raparigas era morena, um pouco mais baixa que todos eles e tinha algumas sardas nas bochechas e no nariz. A outra era loira e tinha uns olhos azuis parecidos com o mar que se destacavam maravilhosamente da pele clara e suave. Albus não pode deixar de olhar atentamente para ela.
- Albus – começou Rose, apontando para a morena – Esta é a Zoe Daffenson...
ALbus disse-lhe um breve “olá” e sorriu.
- E esta é a Niamh Dursley.
Albus esboçou um sorriso ainda maior e fitou-a ainda durante mais tempo.
– E este aqui é o meu priminho, Albus Potter. – acabou por fim. Depois tentou disfarçar a atenção que este demonstrava sentir por Niamh e meteu conversa com ele – Então, primo...O que se passou para te levantares tão cedo hoje? Caíste da cama, foi?
- Não, priminha...Apeteceu-me levantar-me mais cedo. – respondeu-lhe ele com ar de gozo.
Rose vendo que nem mesmo assim ele desprendia os olhos de Niamh resolveu mudar de táctica.
- Bem, – disse, olhando para o relógio – já são quase oito horas...Acho que já devem ter aberto o Salão Nobre...podemos ir tomar o pequeno-almoço.
Esperaram que Rose se acabasse de vestir e não tardaram a passar pelo quadro da Dama Gorda.
- Tão cedo?! – perguntou ela enquanto se voltava a posicionar no seu lugar.
- Sim...Ah, Dama Gorda, poderia dizer-nos se o Salão Nobre já está aberto? – perguntou-lhe timidamente Rose.
- Oh, sim, querida, sim....O Salão Nobre abre logo que aparece por lá alguém com fome. – disse, contente por dar uma informação.
- Oh, obrigada.
- De nada, querida!
Avançaram um pouco mais e, chegando à escadaria, Rose, como sempre, muito, atenta, lembrou-os para que pensassem sem dúvidas no sítio para onde queriam ir. Desceram as escadas e passaram pelo quadro da rapariga vestida de noiva.
- Então, menino – disse ela novamente para Albus – já tens nome?
Albus seguiu em frente sem sequer lhe responder. No entanto Rose, comovida pela jovem tentou meter conversa com ela.
- Sai daqui! – gritou-lhe o quadro – Não quero saber o teu nome e sim o dele!
Rose afastou-se dela muito zangada pela forma como esta a tratara. Seguiu os amigos que já iam um pouco mais à frente.
Albus falava divertidamente com Niamh.
- Então e o que fazem os teus pais? – perguntava-lhe ele despenteando o cabelo e pondo as mãos nos bolsos.
- Oh, o meu pai é muggle e trabalha numa fábrica de brocas com o meu avô, e a minha mãe é vendedora numa loja de varinhas.
- Numa loja de varinhas? Por acaso não é na Dryonarah?
- É sim! A melhor fabricante de varinhas, de momento... Já está muito velha, mas não perde a vontade de trabalhar...
Chegaram sem mais atrasos ao Salão Nobre. Quando a porta se abriu para os deixar entrar, as mesas esperavam-nos carregadas de comida. À excepção de duas gémeas dos Hufflepuff, um rapaz loiro e pálido estava sentado a ler uma revista de cor azul berrante. Albus foi a correr ter com ele e sentou-se mesmo ao seu lado.
- Então, Scorpius, também te levantas-te cedo?
- Ya... Ainda me dói o corpo da caminhada de ontem mas estava tão ansioso que começasse o dia, que nem consegui ficar na cama durante muito tempo.
- E os Slytherin...como é que são? – perguntou-lhe enquanto pegava num croissant com manteiga.
- Alguns são simpáticos, muito simpáticos até. Mas há outros... – no entanto não continuou a frase.
Albus persistiu.
- Conta lá....O que é que eles fizeram?
- Não foi o que fizeram...foi o que disseram. Uma rapariga do meu ano começou a dizer mal dos Gryffindor, assim sem mais nem menos!
- Oh, já ‘tava à espera disso! O meu irmão já me tinha avisado do conflito que existe entre as nossas equipas...
- Pois eu é que não esperava, embora o meu pai me tivesse advertido para alguma confusão, nunca me tinha dito que ía ser assim...
Albus viu o amigo ficar desanimado e tentou dar-lhe a volta.
- Vá lá! Não fiques assim...Vê só: nós conhecemo-nos ontem e já ficámos amigos, logo o problema não é nosso, é deles!
Riram-se daquela conclusão e Albus convenceu Scorpius a vir juntar-se a ele na mesa dos Gryffindor. Eram já oito e meia, mas ainda não aparecera mais ninguém. Rose, Zoe e Niamh comiam calmamente enquanto falavam das aulas que iam ter.
- Ouvi dizer que vamos ter aulas juntos. – lembrou-se Albus de dizer a Scorpius – Já viste...imagina: nós os dois juntos numa sala...Vai ser de morrer a rir!
Riram-se mais uma vez e as raparigas olharam para eles como se lhes tivesse dado um ataque qualquer. Claire apareceu nesse preciso momento e sentou-se à mesa. Meteu conversa com Rose e esta apresentou-a às novas amigas. Aparentemente a discussão que haviam tido no dia anterior não tivera o mínimo efeito se não o de as unir ainda mais. Claire reparou entretanto na revista que Scorpius enrolara na mão.
- Oh isso é a Voz Delirante? – questionou-o tremendamente interessada.
- É...é, sim. – respondeu-lhe Scorpius que fora apanhado de surpresa.
- Oh, qual é a edição?
- É a... – desenrolou-a e procurou o número – é a três mil, duzentos e dois!
- Ah, podias emprestar-ma só por um bocadinho? – pediu. Scorpius estendeu-lha e ela perguntou ainda – É nesta edição que falam dos Bicórnius devoradores de pedra?
- É, sim! – respondeu-lhe prontamente Scorpius.
- Ah o meu avô bem que me avisou que iam sair... – afirmou enquanto desfolhava a Voz Delirante muito rapidamente.
- Como é que o teu avô sabia? – indagou Scorpius.
- O meu avô é o dono da Voz Delirante!
- A sério? Uau! Deves poder ler sempre as edições mesmo antes delas saírem... – constatou ele.
- Nah! Nem sempre...só quando são grandes edições. Eu moro com a minha bisavó e ela não gosta muito que eu leia a revista...
Foi interrompida subitamente por uma voz muito esganiçada e irritante que se aproximava deles. Olharam e viram uma rapariga morena acompanhada por um grupinho a sentar-se à mesa dos Slytherin. Ela e um outro rapaz do seu grupo olharam para Scorpius e levantaram-se vindo ter à mesa dos Gryffindor.
- Anda daí, Malfoy! Sai de ao pé da escumalha nojenta! – afirmou a rapariga fazendo uma cara de enjoada.
- Eu não sei se já reparaste...- disse, levantando-se, Scorpius – que a única escumalha mal cheirosa aqui.... – enfrentou-a com os olhos – és tu, Alexandra!
Ela ficou claramente ofendida.
- Sabes Malfoy, é bom que te dês com gente como nós...- começou o rapaz
- Porquê? – perguntou Scorpius – O que vais fazer, Connor? Obrigar-me a olhar para a tua cara feia?
O rapaz tirou a varinha do bolso e apontou-a a Scorpius. Uma luz azul acertou em cheio na mão de Connor que gritou de dor. Todos olharam para a origem daquela luz. Vinicius acabara de entrar no salão e apontava agora para a rapariga que também sacara da sua.
- É melhor pensares bem no que vais fazer! Eu sei mais feitiços do que tu. – advertiu-a, olhando penetrantemente nos olhos.
A rapariga vendo que estava em desvantagem baixou o braço e regressou à sua mesa mais o amigo que ainda esfregava a mão. Vinicius falou alegremente para um rapaz de pele escura que envergava o manto com o escudo dos Slytherin e que se juntara a ele.
- Nathan, acho que tens de ter cuidado com esses teus meninos...
O rapaz riu também um pouco e depois, falando um pouco mais alto, disse para a equipa dos Slytherin.
- Eu disse-vos ontem que não se iriam dar bem a fazer a vida negra aos vossos colegas...Eu disse-vos! – depois deu um aperto de mão a Vinicius.
- Então não vens tomar o pequeno-almoço? - perguntou-lhe este.
- Nah...tenho de ir ter com a Jodie. Sabes como é que ela é...Adeus, fica bem!
E saiu pela porta. Vinicius veio juntar-se então a eles.
- Não te chegaram a fazer mal pois não? – perguntou preocupado a Scorpius.
- Não, nem me tocaram!
- Ainda bem...Desculpa lá, mas tens ali uns coleguinhas...
- Eu sei...são bons, não são? – respondeu-lhe ironicamente Scorpius. Riram-se mais um bocado.
- Bem, mudando de assunto...Tenho aqui os vossos horários! – declarou enquanto os tirava da mochila que trouxera às costas. – normalmente são os professore que os entregam, - continuou enquanto entregava os horários – mas este ano cortaram-se...Eu queria um voluntário para ir colar um ou dois destes horários na nossa sala de convívio... – Rose e Claire ofereceram-se e partiram imediatamente.
- Bem...parece que a nossa primeira aula é com o pai da Claire... – disse Albus a Scorpius vendo que iam ter Herbologia enquanto punham as malas às costas. Saíram para a rua e, através das indicações que Vinicius lhes tinha dado, chegaram à estufa muito rapidamente. Foram os primeiros a entrar e puseram logo as malas em cima da mesa. Neville ainda não tinha chegado e eles sentaram-se nas cadeiras, um ao lado do outro. De um momento para o outro Albus começou-se a rir às gargalhadas. Scorpius perguntou-lhe do que é que ele se estava a rir, e ria-se também embora não soubesse de quê. Albus disse-lhe apenas, tentando imitá-o:
- O que vais fazer, Connor? Obrigar-me a olhar para a tua cara feia?
E riram-se os dois a bandeiras despregadas.
- Olá, Albus! – cumprimentou animadamente, levantando-se do sofá para vir falar ao primo. Depois tentou levá-lo para ao pé das raparigas, ao que ele recusou.
- Anda, vem... – insistiu ela, puxando-o pelo braço. – Vá, elas não mordem!
Albus tentou resistir mas a prima apanhando-lhe o braço a jeito, conseguiu fazê-lo sentar-se ao seu lado.
Uma das raparigas era morena, um pouco mais baixa que todos eles e tinha algumas sardas nas bochechas e no nariz. A outra era loira e tinha uns olhos azuis parecidos com o mar que se destacavam maravilhosamente da pele clara e suave. Albus não pode deixar de olhar atentamente para ela.
- Albus – começou Rose, apontando para a morena – Esta é a Zoe Daffenson...
ALbus disse-lhe um breve “olá” e sorriu.
- E esta é a Niamh Dursley.
Albus esboçou um sorriso ainda maior e fitou-a ainda durante mais tempo.
– E este aqui é o meu priminho, Albus Potter. – acabou por fim. Depois tentou disfarçar a atenção que este demonstrava sentir por Niamh e meteu conversa com ele – Então, primo...O que se passou para te levantares tão cedo hoje? Caíste da cama, foi?
- Não, priminha...Apeteceu-me levantar-me mais cedo. – respondeu-lhe ele com ar de gozo.
Rose vendo que nem mesmo assim ele desprendia os olhos de Niamh resolveu mudar de táctica.
- Bem, – disse, olhando para o relógio – já são quase oito horas...Acho que já devem ter aberto o Salão Nobre...podemos ir tomar o pequeno-almoço.
Esperaram que Rose se acabasse de vestir e não tardaram a passar pelo quadro da Dama Gorda.
- Tão cedo?! – perguntou ela enquanto se voltava a posicionar no seu lugar.
- Sim...Ah, Dama Gorda, poderia dizer-nos se o Salão Nobre já está aberto? – perguntou-lhe timidamente Rose.
- Oh, sim, querida, sim....O Salão Nobre abre logo que aparece por lá alguém com fome. – disse, contente por dar uma informação.
- Oh, obrigada.
- De nada, querida!
Avançaram um pouco mais e, chegando à escadaria, Rose, como sempre, muito, atenta, lembrou-os para que pensassem sem dúvidas no sítio para onde queriam ir. Desceram as escadas e passaram pelo quadro da rapariga vestida de noiva.
- Então, menino – disse ela novamente para Albus – já tens nome?
Albus seguiu em frente sem sequer lhe responder. No entanto Rose, comovida pela jovem tentou meter conversa com ela.
- Sai daqui! – gritou-lhe o quadro – Não quero saber o teu nome e sim o dele!
Rose afastou-se dela muito zangada pela forma como esta a tratara. Seguiu os amigos que já iam um pouco mais à frente.
Albus falava divertidamente com Niamh.
- Então e o que fazem os teus pais? – perguntava-lhe ele despenteando o cabelo e pondo as mãos nos bolsos.
- Oh, o meu pai é muggle e trabalha numa fábrica de brocas com o meu avô, e a minha mãe é vendedora numa loja de varinhas.
- Numa loja de varinhas? Por acaso não é na Dryonarah?
- É sim! A melhor fabricante de varinhas, de momento... Já está muito velha, mas não perde a vontade de trabalhar...
Chegaram sem mais atrasos ao Salão Nobre. Quando a porta se abriu para os deixar entrar, as mesas esperavam-nos carregadas de comida. À excepção de duas gémeas dos Hufflepuff, um rapaz loiro e pálido estava sentado a ler uma revista de cor azul berrante. Albus foi a correr ter com ele e sentou-se mesmo ao seu lado.
- Então, Scorpius, também te levantas-te cedo?
- Ya... Ainda me dói o corpo da caminhada de ontem mas estava tão ansioso que começasse o dia, que nem consegui ficar na cama durante muito tempo.
- E os Slytherin...como é que são? – perguntou-lhe enquanto pegava num croissant com manteiga.
- Alguns são simpáticos, muito simpáticos até. Mas há outros... – no entanto não continuou a frase.
Albus persistiu.
- Conta lá....O que é que eles fizeram?
- Não foi o que fizeram...foi o que disseram. Uma rapariga do meu ano começou a dizer mal dos Gryffindor, assim sem mais nem menos!
- Oh, já ‘tava à espera disso! O meu irmão já me tinha avisado do conflito que existe entre as nossas equipas...
- Pois eu é que não esperava, embora o meu pai me tivesse advertido para alguma confusão, nunca me tinha dito que ía ser assim...
Albus viu o amigo ficar desanimado e tentou dar-lhe a volta.
- Vá lá! Não fiques assim...Vê só: nós conhecemo-nos ontem e já ficámos amigos, logo o problema não é nosso, é deles!
Riram-se daquela conclusão e Albus convenceu Scorpius a vir juntar-se a ele na mesa dos Gryffindor. Eram já oito e meia, mas ainda não aparecera mais ninguém. Rose, Zoe e Niamh comiam calmamente enquanto falavam das aulas que iam ter.
- Ouvi dizer que vamos ter aulas juntos. – lembrou-se Albus de dizer a Scorpius – Já viste...imagina: nós os dois juntos numa sala...Vai ser de morrer a rir!
Riram-se mais uma vez e as raparigas olharam para eles como se lhes tivesse dado um ataque qualquer. Claire apareceu nesse preciso momento e sentou-se à mesa. Meteu conversa com Rose e esta apresentou-a às novas amigas. Aparentemente a discussão que haviam tido no dia anterior não tivera o mínimo efeito se não o de as unir ainda mais. Claire reparou entretanto na revista que Scorpius enrolara na mão.
- Oh isso é a Voz Delirante? – questionou-o tremendamente interessada.
- É...é, sim. – respondeu-lhe Scorpius que fora apanhado de surpresa.
- Oh, qual é a edição?
- É a... – desenrolou-a e procurou o número – é a três mil, duzentos e dois!
- Ah, podias emprestar-ma só por um bocadinho? – pediu. Scorpius estendeu-lha e ela perguntou ainda – É nesta edição que falam dos Bicórnius devoradores de pedra?
- É, sim! – respondeu-lhe prontamente Scorpius.
- Ah o meu avô bem que me avisou que iam sair... – afirmou enquanto desfolhava a Voz Delirante muito rapidamente.
- Como é que o teu avô sabia? – indagou Scorpius.
- O meu avô é o dono da Voz Delirante!
- A sério? Uau! Deves poder ler sempre as edições mesmo antes delas saírem... – constatou ele.
- Nah! Nem sempre...só quando são grandes edições. Eu moro com a minha bisavó e ela não gosta muito que eu leia a revista...
Foi interrompida subitamente por uma voz muito esganiçada e irritante que se aproximava deles. Olharam e viram uma rapariga morena acompanhada por um grupinho a sentar-se à mesa dos Slytherin. Ela e um outro rapaz do seu grupo olharam para Scorpius e levantaram-se vindo ter à mesa dos Gryffindor.
- Anda daí, Malfoy! Sai de ao pé da escumalha nojenta! – afirmou a rapariga fazendo uma cara de enjoada.
- Eu não sei se já reparaste...- disse, levantando-se, Scorpius – que a única escumalha mal cheirosa aqui.... – enfrentou-a com os olhos – és tu, Alexandra!
Ela ficou claramente ofendida.
- Sabes Malfoy, é bom que te dês com gente como nós...- começou o rapaz
- Porquê? – perguntou Scorpius – O que vais fazer, Connor? Obrigar-me a olhar para a tua cara feia?
O rapaz tirou a varinha do bolso e apontou-a a Scorpius. Uma luz azul acertou em cheio na mão de Connor que gritou de dor. Todos olharam para a origem daquela luz. Vinicius acabara de entrar no salão e apontava agora para a rapariga que também sacara da sua.
- É melhor pensares bem no que vais fazer! Eu sei mais feitiços do que tu. – advertiu-a, olhando penetrantemente nos olhos.
A rapariga vendo que estava em desvantagem baixou o braço e regressou à sua mesa mais o amigo que ainda esfregava a mão. Vinicius falou alegremente para um rapaz de pele escura que envergava o manto com o escudo dos Slytherin e que se juntara a ele.
- Nathan, acho que tens de ter cuidado com esses teus meninos...
O rapaz riu também um pouco e depois, falando um pouco mais alto, disse para a equipa dos Slytherin.
- Eu disse-vos ontem que não se iriam dar bem a fazer a vida negra aos vossos colegas...Eu disse-vos! – depois deu um aperto de mão a Vinicius.
- Então não vens tomar o pequeno-almoço? - perguntou-lhe este.
- Nah...tenho de ir ter com a Jodie. Sabes como é que ela é...Adeus, fica bem!
E saiu pela porta. Vinicius veio juntar-se então a eles.
- Não te chegaram a fazer mal pois não? – perguntou preocupado a Scorpius.
- Não, nem me tocaram!
- Ainda bem...Desculpa lá, mas tens ali uns coleguinhas...
- Eu sei...são bons, não são? – respondeu-lhe ironicamente Scorpius. Riram-se mais um bocado.
- Bem, mudando de assunto...Tenho aqui os vossos horários! – declarou enquanto os tirava da mochila que trouxera às costas. – normalmente são os professore que os entregam, - continuou enquanto entregava os horários – mas este ano cortaram-se...Eu queria um voluntário para ir colar um ou dois destes horários na nossa sala de convívio... – Rose e Claire ofereceram-se e partiram imediatamente.
- Bem...parece que a nossa primeira aula é com o pai da Claire... – disse Albus a Scorpius vendo que iam ter Herbologia enquanto punham as malas às costas. Saíram para a rua e, através das indicações que Vinicius lhes tinha dado, chegaram à estufa muito rapidamente. Foram os primeiros a entrar e puseram logo as malas em cima da mesa. Neville ainda não tinha chegado e eles sentaram-se nas cadeiras, um ao lado do outro. De um momento para o outro Albus começou-se a rir às gargalhadas. Scorpius perguntou-lhe do que é que ele se estava a rir, e ria-se também embora não soubesse de quê. Albus disse-lhe apenas, tentando imitá-o:
- O que vais fazer, Connor? Obrigar-me a olhar para a tua cara feia?
E riram-se os dois a bandeiras despregadas.
III capítulo - Hufflepuff, Ravenclaw, Slytherin e Gryffindor
Entraram num salão muito grande onde as velas que o iluminavam pairavam no ar. As paredes estavam cobertas de quatro bandeiras diferentes: uma com um texugo, outra com um leão, mais uma com uma cobra e outra com uma águia.Olharam instintivamente para o tecto e viram que transparecia a noite que haviam visto há momentos atrás.
- Oh, não tenham medo! O tecto foi encantado para que se parecesse com a noite– afirmou Claire, antecipando-se a Rose que se preparava para dar mais uma das suas definições complexas.
Centenas de cabeças se voltaram para eles logo que entraram. Albus distinguiu o irmão mais velho, James, entre elas e não hesitou em dizer-lhe um adeus ao que ele correspondeu. Naquele salão haviam quatro mesas muito compridas posicionadas de forma vertical, que eles deduziram pertencer a cada equipa. Dirigiam-se para o fundo do salão onde se encontrava uma mesa em horizontal, onde se encontravam os professores. No lado esquerdo da mesa estava uma cadeira muito velha de madeira que parecia conter um molho de trapos escuros e esfarrapados.
- Vamos mexam-se meninos. – ordenou Malodora, quando já subira os três degraus e chegara ao pé da cadeira – Posicionem-se aqui... – disse ela, apontando para que não subissem os degraus mantendo-se assim mais em baixo que ela e os outros professores.
Eles formaram ainda um grupo mais apertado e, todos os juntos, com os seus chapéus de bico, pareciam formar um aglomerado de pequenos anões vestidos de preto.
- Vamos começar com a cerimónia da selecção. – declarou Malodora, enquanto retirava de um bolso do manto um rolo de pergaminho atado com um laço azul. – Assim que eu chamar o vosso nome, subirão as escadas e sentar-se-ão nesta cadeira, onde o chapéu seleccionador – “Ah, então aquilo é um chapéu!” pensou Albus - vos dirá em que equipa é que ficarão até completarem o vosso ensino aqui em Hogwarts.
Um certo nervosismo se espelhou na cara dos novos alunos.
- Em que equipa é que achas que vais ficar? – perguntou Albus a Scorpius, muito ansioso.
- Humm...não sei...o meu pai era dos Slytherin, portanto devo ficar na mesma equipa que ele.
- Ah...Então eu devo ficar nos Gryffindor...De qualquer forma vamos continuar a falar-nos, n’é?
- Podes crer, Albus! – disse animadamente Scorpius.
A professora Malodora começou a desenrolar o pergaminho, após tirar a fita que o envolvia.
- Abendaff, Bernard! – começou por chamar.
Um rapaz de cabelo castanho subiu as escadas em direcção à cadeira. A professora levantou o chapéu e, após Bernard se sentar, pousou-o sobre a sua cabeça. O chapéu, para surpresa de todos, falou e anunciou bem alto: Gryffindor! A selecção continuou e após terem sido chamados dois rapazes e três raparigas, foi a vez de Albus se sentar na cadeira. A professora tal como fizera com os alunos que o antecederam, colocou o Chapéu Seleccionador na cabeça de Albus. Mal tocou nos seus cabelos o Chapéu gritou mais uma vez “Gryffindor!”, ao que Albus foi delirante a correr para a mesa da sua equipa. James abriu espaço ao seu lado para o irmão se sentar e este foi recebido com muitas palmadas nas costas dos amigos dele, que já conhecia das férias de Verão. Procurou ansiosamente Scorpius entre as cabeças nervosas dos seus colegas e encontrou-o ao lado de Rose que não parava de roer as unhas. Scorpius foi chamado e, tal como acontecera com Albus, o Chapéu não precisou de lhe tocar na cabeça. Mal sentiu os cabelos de Scorpius Malfoy anunciou “Slytherin!”, à mesa dos quais este se foi sentar, acenando a Albus. Procuravam os dois, agora, Rose e Claire. Viram Claire muito distraída a ler uma revista de cor azul forte, como se nada do que naquele momento estivesse a acontecer, lhe dissesse respeito. Rose estava ao seu lado muito pálida e visivelmente preocupada. Finalmente chamaram-na e ela, quase automaticamente, chegou até à cadeira. Sentou-se e esperou que a professora lhe colocasse o Chapéu. A professora assim o fez. O Chapéu manteve-se em cima da sua cabeça durante quase três minutos, durante os quais Albus viu Rose fazer figas. Quando finalmente o Chapéu gritou “Gryffindor!” Rose saltou da cadeira aos pulinhos e entregou-o com ar satisfeito a Malodora, que estranhou tanta felicidade. Desta vez foi Albus quem abriu espaço entre os colegas.
- Então...não foi assim tão mau, pois não? - perguntou-lhe batendo-lhe ao de leve com o cotovelo.
- Não... – confirmou Rose, muito corada – Não foi assim tão mau...
Esperaram pela selecção de Claire que também veio para os Gryffindor. Chegou à mesa da equipa muito desanimada.
- Que pena, gostava de ter ido para os Hufflepuff... – confessou ao sentar-se.
A selecção não tardou a terminar e assim que o último nome foi para os Ravenclaw, os burburinhos começaram a ouvir-se.
Uma mulher alta e magra com o cabelo preso num rolo, levantou-se da mesa e foi ter à estátua de uma águia dourada que se encontrava mais afastada dos professores. Atrás dela, tossiu, e o barulho que fez ecoou por toda a sala. Limpou a voz novamente e olhou para todas as mesas que estavam no salão.
O salão caiu no silêncio.
- Quem é, James? – perguntou Albus muito baixinho.
- É a professora McGonagall. É a directora da escola.
A directora ía falar.
- Este ano, como em todos os outros que o antecederam, temos novos alunos. – começou com a sua voz calma e no entanto, objectiva. - Entre eles, espero encontrar mentes brilhantes, capazes de se esforçarem para darem o melhor pelas suas equipas e por si mesmos. Peço novamente, a todos os alunos que já cá estão há mais tempo, que ajudem os novos alunos e que os esclareçam em todas as suas dúvidas. Mr. Filch já vos deve ter avisado de que não serão permitidos quaisquer tipos de passeios pela Floresta Negra e que, caso os façam, serão punidos com regresso a casa sem qualquer possibilidade de voltarem a Hogwarts. A todos os outros, tenham um magnífico ano lectivo e especialmente aos alunos do quinto ano, não se esqueçam que terão NPF’s ainda este ano! Bom apetite! – e voltou à mesa. Assim que Albus e todos os outros olharam para as mesas viram-nas recheadas de comida. Serviram-se e começaram a conversar.
- Então, Albus...Muito nervoso com as aulas? – perguntou-lhe James servindo-se de uma perna de frango.
- O quê? Aulas? Quando? – perguntou-lhe enquanto mastigava também ele um pedaço de frango.
- Sim, aulas! Ou pensas que vens para cá passar férias?! – questionou-o rindo-se.
-Não, primo – começou Rose enquanto lia novamente o livro e bebia um copo de sumo de abóbora – ele está à espera que alguém lhe faça o servicinho todo!
- Ah, mas olha que isso aqui não cola, mano! – disse James olhando para o irmão. – Aqui tens mesmo de te esforçar!
- Ah, ‘tá bem! Diz isso ao meu cérebro! – gozou Albus.
Mal acabaram de comer, os pratos e os restos do jantar desapareceram como se fossem sugados pelo ar. Os mais velhos mais habituados, olharam imediatamente para a mesa dos professores. A directora levantou-se novamente mas não se afastou da mesa.
- Agora que estão com o estômago cheio é hora de irem para a cama. Especialmente os alunos do primeiro ano devem estar muito cansados depois da caminhada.
“Podes crer!” disse Albus baixinho.
- Amanhã vão começar as vossas aulas pelo que têm de descansar. Os prefeitos das equipas conduzir-vos-ão aos vossos dormitórios. Boa noite e até amanha.
Depois destas últimas palavras, afastou-se da mesa, dirigindo-se a uma porta que se encontrava um pouco à esquerda atrás dela. O manto verde escuro arrastava-se atrás dela e assim que ela e os outros professores desapareceram pela porta, o barulho voltou a fazer-se ouvir no salão.
- Sigam-me! – gritou um rapaz alto e loiro do sexto ano. – Gryffindor, primeiro ano, sigam-me!
Albus pôs-se na fila que se formara à frente do rapaz.
- O meu nome é Vinicius, e sou o prefeito dos Gryffindor. Qualquer problema vêm ter comigo, eu ajudo-vos.
Vendo que estavam todos, o rapaz começou a andar em direcção a uma outra porta de madeira. A porta abriu-se sem ajuda e, depois de percorrerem o hall de entrada, entraram por uma porta ainda maior. Os alunos mostraram-se surpresos com o que viram. Enormes escadarias moviam-se agitadas em todas as direcções parando à frente desta ou de outra porta.
Vinicius precaveu-os.
- As escadas são uma coisa perigosa aqui em Hogwarts. O meu segredo é pensar sempre para onde quero ir, sem erros, se fizerem isso elas não mudam de direcção!
E seguiram-no por uma escadaria à esquerda que estava encostada a uma parede repleta de quadros. À medida que andavam os quadros iam olhando para eles e comentando.
- Oh, temos novatos! – disse um dos homens de um quadro muito velho.
- Oh, mas que menino tão lindo... – comentou uma rapariga vestida de noiva de um quadro alto. Depois virou-se para Albus – Como te chamas, menino?
Albus ía a responder, mas Vinicius afastou-o do quadro e respondeu:
- Ele não tem nome....aliás, aqui ninguém tem nome, só tu!
Assim que ouviu estas palavras a rapariga sentou-se numa cadeira do quadro e começou a chorar. Albus chegou-se ao pé de Vinicius, preocupado com o quadro.
- Ah não te preocupes...- disse-lhe ele - Esta aqui é assim com todos...Mas não lhe digas o teu nome! Se ela descobre o teu nome, começa a perseguir-te, saltando de quadro em quadro. Uma vez um rapaz disse-lhe como se chamava e ela nunca mais o largou. Chegou a apanha-lo na casa de banho e tudo, vê lá!
- Fogo...tinha que me sair logo na rifa um quadro obcecado! Mas e se ela me perseguir só para saber o meu nome?
- Não, ‘tá descansado. Aquela ali foi enfeitiçada! Só te pode perseguir se tu e só tu lhe disseres o teu nome.
- A sério? – perguntou Rose que estivera a ouvir toda a explicação com uma atenção desmedida – Os quadros também podem ser enfeitiçados? A minha mãe nunca me tinha dito isso!
- Oh, sim! E ainda bem que o podem! Já viste o que era – disse virando-se para Albus – termos um quadro chato como ela atrás de nós?
- Acho que não lhe devias chamar isso! – afirmou Rose.
- Ah sim? E porque não? – perguntou-lhe Vinicius enquanto os continuava a guiar.
- Porque ela também tem sentimentos! – continuou Rose com ar ameaçador.
- Dizes isso porque és rapariga...queria ver se gostavas de ter um quadro sempre à perna! Bem chegamos.... – Rose ía ripostar mas resolveu engolir tudo o que ía dizer e deixá-lo explicar o que precisavam saber. Vinicius dirigiu-se ao grupo – Esta é a Dama Gorda - afirmou apontando para uma mulher gorda de vestido creme de seda e com o cabelo enrolado que parecia dormitar. Como fundo tinha um quarto à século XVIII com uma poltrona à direita - e é o quadro que guarda os nossos dormitórios e a sala comum. Sempre que quizerem entrar terão de lhe dizer a palavra-passe. – depois virou-se para o quadro. – Boa noite, Dama Gorda! – saudou.
A Dama despertou e os seus olhos pequenos pousaram em Vinicius.
- Boa noite, Vinicius – cumprimentou-o, bocejando, na sua voz pomposa. – Então, querido, qual é a palavra-passe?
- É Tummy-button, Dama Gorda! – respondeu-lhe prontamente Vinicius.
O quadro moveu-se para o lado e Vinicius entrou pela abertura que a Dama deixou visível. Todos os outros o seguiram. A admiração foi total. Tinham acabado de entrar numa sala de paredes forradas a papel vermelho escuro onde tudo parecia convida-los a descansar. Era “uma sala de descanso e não de convívio” pensou Albus.
Rose sentou-se, estafada, num sofá repleto de almofadas fofas e confortáveis. À sua frente tinha a lareira e por cima dela, em tamanho grande, o símbolo dos Gryffindor: um poderoso leão dourado e rodeado de vermelho. Albus, esse, aventurara-se à descoberta de tudo o que pudesse encontrar de novo. Olhou então a sala circular com cuidado: aos seus pés um tapete com cores pretas vermelhas e cremes adornava o chão; no lado direito, três mesas redondas de madeira convidavam a ler um dos poucos livros que tinham em cima; à sua esquerda mais sofás; e por fim a lareira, para a qual a prima olhava encantada. Reparou também numas escadas que subiam de forma espiral. Antes que pudesse observar mais alguma coisa, Vinicius falou quebrando-lhe a atenção.
- Bem já é muito tarde e as ordens que tenho são de vos deixar deitadinhos e quietinhos, portanto, ‘bora para cima!
Subiu as escadas e parou à frente da primeira porta.
- Este, aqui, é o dormitório das raparigas. Atenção! Ninguém entra no dormitório de ninguém! Vocês, meninas, podem ficar já aqui. Boa noite! – desejou ele começando a subir o resto das escadas circulares que sobravam e abriu uma outra porta. Pôs-se, no entanto, à frente deles.
- Eu disse há pouco tempo que ninguém podia entrar no dormitório de ninguém, só que menti. Na verdade, as raparigas podem entrar nos dormitórios dos rapazes. – um leve descontentamento percorreu a cara dos rapazes. - Não o disse à frente delas apenas para, pelo menos hoje, não serem incomodados com visitas nocturnas.
Dito isto desviou-se. Os alunos entraram e depararam-se com uma sala cheia de camas. Cada cama tinha um baú aos pés e ao lado a bagagem de cada aluno. Albus procurou imediatamente a sua, pelo que a encontrou mesmo ao pé da janela.
- Eu tenho de tratar de umas coisas ainda. Vocês é melhor deitarem-se e dormirem. – aconselhou regressando à porta – Amanhã vão ter um dia muito comprido! Boa noite! – e fechou a porta.
Não houve muita conversa. Os rapazes vestiram os pijamas e trocaram apenas uns rápidos “Até amanhã!”. Assim que todos se deitaram, a luz apagou-se.
Albus quase não conseguia dormir. A excitação do dia seguinte consumia-o. Eram quase três da manhã quando finalmente conseguiu adormecer, já quase todo destapado. A noite, lá fora, parecia ter mandado embora as estrelas, como se também ela se preparasse para um novo dia.
- Oh, não tenham medo! O tecto foi encantado para que se parecesse com a noite– afirmou Claire, antecipando-se a Rose que se preparava para dar mais uma das suas definições complexas.
Centenas de cabeças se voltaram para eles logo que entraram. Albus distinguiu o irmão mais velho, James, entre elas e não hesitou em dizer-lhe um adeus ao que ele correspondeu. Naquele salão haviam quatro mesas muito compridas posicionadas de forma vertical, que eles deduziram pertencer a cada equipa. Dirigiam-se para o fundo do salão onde se encontrava uma mesa em horizontal, onde se encontravam os professores. No lado esquerdo da mesa estava uma cadeira muito velha de madeira que parecia conter um molho de trapos escuros e esfarrapados.
- Vamos mexam-se meninos. – ordenou Malodora, quando já subira os três degraus e chegara ao pé da cadeira – Posicionem-se aqui... – disse ela, apontando para que não subissem os degraus mantendo-se assim mais em baixo que ela e os outros professores.
Eles formaram ainda um grupo mais apertado e, todos os juntos, com os seus chapéus de bico, pareciam formar um aglomerado de pequenos anões vestidos de preto.
- Vamos começar com a cerimónia da selecção. – declarou Malodora, enquanto retirava de um bolso do manto um rolo de pergaminho atado com um laço azul. – Assim que eu chamar o vosso nome, subirão as escadas e sentar-se-ão nesta cadeira, onde o chapéu seleccionador – “Ah, então aquilo é um chapéu!” pensou Albus - vos dirá em que equipa é que ficarão até completarem o vosso ensino aqui em Hogwarts.
Um certo nervosismo se espelhou na cara dos novos alunos.
- Em que equipa é que achas que vais ficar? – perguntou Albus a Scorpius, muito ansioso.
- Humm...não sei...o meu pai era dos Slytherin, portanto devo ficar na mesma equipa que ele.
- Ah...Então eu devo ficar nos Gryffindor...De qualquer forma vamos continuar a falar-nos, n’é?
- Podes crer, Albus! – disse animadamente Scorpius.
A professora Malodora começou a desenrolar o pergaminho, após tirar a fita que o envolvia.
- Abendaff, Bernard! – começou por chamar.
Um rapaz de cabelo castanho subiu as escadas em direcção à cadeira. A professora levantou o chapéu e, após Bernard se sentar, pousou-o sobre a sua cabeça. O chapéu, para surpresa de todos, falou e anunciou bem alto: Gryffindor! A selecção continuou e após terem sido chamados dois rapazes e três raparigas, foi a vez de Albus se sentar na cadeira. A professora tal como fizera com os alunos que o antecederam, colocou o Chapéu Seleccionador na cabeça de Albus. Mal tocou nos seus cabelos o Chapéu gritou mais uma vez “Gryffindor!”, ao que Albus foi delirante a correr para a mesa da sua equipa. James abriu espaço ao seu lado para o irmão se sentar e este foi recebido com muitas palmadas nas costas dos amigos dele, que já conhecia das férias de Verão. Procurou ansiosamente Scorpius entre as cabeças nervosas dos seus colegas e encontrou-o ao lado de Rose que não parava de roer as unhas. Scorpius foi chamado e, tal como acontecera com Albus, o Chapéu não precisou de lhe tocar na cabeça. Mal sentiu os cabelos de Scorpius Malfoy anunciou “Slytherin!”, à mesa dos quais este se foi sentar, acenando a Albus. Procuravam os dois, agora, Rose e Claire. Viram Claire muito distraída a ler uma revista de cor azul forte, como se nada do que naquele momento estivesse a acontecer, lhe dissesse respeito. Rose estava ao seu lado muito pálida e visivelmente preocupada. Finalmente chamaram-na e ela, quase automaticamente, chegou até à cadeira. Sentou-se e esperou que a professora lhe colocasse o Chapéu. A professora assim o fez. O Chapéu manteve-se em cima da sua cabeça durante quase três minutos, durante os quais Albus viu Rose fazer figas. Quando finalmente o Chapéu gritou “Gryffindor!” Rose saltou da cadeira aos pulinhos e entregou-o com ar satisfeito a Malodora, que estranhou tanta felicidade. Desta vez foi Albus quem abriu espaço entre os colegas.
- Então...não foi assim tão mau, pois não? - perguntou-lhe batendo-lhe ao de leve com o cotovelo.
- Não... – confirmou Rose, muito corada – Não foi assim tão mau...
Esperaram pela selecção de Claire que também veio para os Gryffindor. Chegou à mesa da equipa muito desanimada.
- Que pena, gostava de ter ido para os Hufflepuff... – confessou ao sentar-se.
A selecção não tardou a terminar e assim que o último nome foi para os Ravenclaw, os burburinhos começaram a ouvir-se.
Uma mulher alta e magra com o cabelo preso num rolo, levantou-se da mesa e foi ter à estátua de uma águia dourada que se encontrava mais afastada dos professores. Atrás dela, tossiu, e o barulho que fez ecoou por toda a sala. Limpou a voz novamente e olhou para todas as mesas que estavam no salão.
O salão caiu no silêncio.
- Quem é, James? – perguntou Albus muito baixinho.
- É a professora McGonagall. É a directora da escola.
A directora ía falar.
- Este ano, como em todos os outros que o antecederam, temos novos alunos. – começou com a sua voz calma e no entanto, objectiva. - Entre eles, espero encontrar mentes brilhantes, capazes de se esforçarem para darem o melhor pelas suas equipas e por si mesmos. Peço novamente, a todos os alunos que já cá estão há mais tempo, que ajudem os novos alunos e que os esclareçam em todas as suas dúvidas. Mr. Filch já vos deve ter avisado de que não serão permitidos quaisquer tipos de passeios pela Floresta Negra e que, caso os façam, serão punidos com regresso a casa sem qualquer possibilidade de voltarem a Hogwarts. A todos os outros, tenham um magnífico ano lectivo e especialmente aos alunos do quinto ano, não se esqueçam que terão NPF’s ainda este ano! Bom apetite! – e voltou à mesa. Assim que Albus e todos os outros olharam para as mesas viram-nas recheadas de comida. Serviram-se e começaram a conversar.
- Então, Albus...Muito nervoso com as aulas? – perguntou-lhe James servindo-se de uma perna de frango.
- O quê? Aulas? Quando? – perguntou-lhe enquanto mastigava também ele um pedaço de frango.
- Sim, aulas! Ou pensas que vens para cá passar férias?! – questionou-o rindo-se.
-Não, primo – começou Rose enquanto lia novamente o livro e bebia um copo de sumo de abóbora – ele está à espera que alguém lhe faça o servicinho todo!
- Ah, mas olha que isso aqui não cola, mano! – disse James olhando para o irmão. – Aqui tens mesmo de te esforçar!
- Ah, ‘tá bem! Diz isso ao meu cérebro! – gozou Albus.
Mal acabaram de comer, os pratos e os restos do jantar desapareceram como se fossem sugados pelo ar. Os mais velhos mais habituados, olharam imediatamente para a mesa dos professores. A directora levantou-se novamente mas não se afastou da mesa.
- Agora que estão com o estômago cheio é hora de irem para a cama. Especialmente os alunos do primeiro ano devem estar muito cansados depois da caminhada.
“Podes crer!” disse Albus baixinho.
- Amanhã vão começar as vossas aulas pelo que têm de descansar. Os prefeitos das equipas conduzir-vos-ão aos vossos dormitórios. Boa noite e até amanha.
Depois destas últimas palavras, afastou-se da mesa, dirigindo-se a uma porta que se encontrava um pouco à esquerda atrás dela. O manto verde escuro arrastava-se atrás dela e assim que ela e os outros professores desapareceram pela porta, o barulho voltou a fazer-se ouvir no salão.
- Sigam-me! – gritou um rapaz alto e loiro do sexto ano. – Gryffindor, primeiro ano, sigam-me!
Albus pôs-se na fila que se formara à frente do rapaz.
- O meu nome é Vinicius, e sou o prefeito dos Gryffindor. Qualquer problema vêm ter comigo, eu ajudo-vos.
Vendo que estavam todos, o rapaz começou a andar em direcção a uma outra porta de madeira. A porta abriu-se sem ajuda e, depois de percorrerem o hall de entrada, entraram por uma porta ainda maior. Os alunos mostraram-se surpresos com o que viram. Enormes escadarias moviam-se agitadas em todas as direcções parando à frente desta ou de outra porta.
Vinicius precaveu-os.
- As escadas são uma coisa perigosa aqui em Hogwarts. O meu segredo é pensar sempre para onde quero ir, sem erros, se fizerem isso elas não mudam de direcção!
E seguiram-no por uma escadaria à esquerda que estava encostada a uma parede repleta de quadros. À medida que andavam os quadros iam olhando para eles e comentando.
- Oh, temos novatos! – disse um dos homens de um quadro muito velho.
- Oh, mas que menino tão lindo... – comentou uma rapariga vestida de noiva de um quadro alto. Depois virou-se para Albus – Como te chamas, menino?
Albus ía a responder, mas Vinicius afastou-o do quadro e respondeu:
- Ele não tem nome....aliás, aqui ninguém tem nome, só tu!
Assim que ouviu estas palavras a rapariga sentou-se numa cadeira do quadro e começou a chorar. Albus chegou-se ao pé de Vinicius, preocupado com o quadro.
- Ah não te preocupes...- disse-lhe ele - Esta aqui é assim com todos...Mas não lhe digas o teu nome! Se ela descobre o teu nome, começa a perseguir-te, saltando de quadro em quadro. Uma vez um rapaz disse-lhe como se chamava e ela nunca mais o largou. Chegou a apanha-lo na casa de banho e tudo, vê lá!
- Fogo...tinha que me sair logo na rifa um quadro obcecado! Mas e se ela me perseguir só para saber o meu nome?
- Não, ‘tá descansado. Aquela ali foi enfeitiçada! Só te pode perseguir se tu e só tu lhe disseres o teu nome.
- A sério? – perguntou Rose que estivera a ouvir toda a explicação com uma atenção desmedida – Os quadros também podem ser enfeitiçados? A minha mãe nunca me tinha dito isso!
- Oh, sim! E ainda bem que o podem! Já viste o que era – disse virando-se para Albus – termos um quadro chato como ela atrás de nós?
- Acho que não lhe devias chamar isso! – afirmou Rose.
- Ah sim? E porque não? – perguntou-lhe Vinicius enquanto os continuava a guiar.
- Porque ela também tem sentimentos! – continuou Rose com ar ameaçador.
- Dizes isso porque és rapariga...queria ver se gostavas de ter um quadro sempre à perna! Bem chegamos.... – Rose ía ripostar mas resolveu engolir tudo o que ía dizer e deixá-lo explicar o que precisavam saber. Vinicius dirigiu-se ao grupo – Esta é a Dama Gorda - afirmou apontando para uma mulher gorda de vestido creme de seda e com o cabelo enrolado que parecia dormitar. Como fundo tinha um quarto à século XVIII com uma poltrona à direita - e é o quadro que guarda os nossos dormitórios e a sala comum. Sempre que quizerem entrar terão de lhe dizer a palavra-passe. – depois virou-se para o quadro. – Boa noite, Dama Gorda! – saudou.
A Dama despertou e os seus olhos pequenos pousaram em Vinicius.
- Boa noite, Vinicius – cumprimentou-o, bocejando, na sua voz pomposa. – Então, querido, qual é a palavra-passe?
- É Tummy-button, Dama Gorda! – respondeu-lhe prontamente Vinicius.
O quadro moveu-se para o lado e Vinicius entrou pela abertura que a Dama deixou visível. Todos os outros o seguiram. A admiração foi total. Tinham acabado de entrar numa sala de paredes forradas a papel vermelho escuro onde tudo parecia convida-los a descansar. Era “uma sala de descanso e não de convívio” pensou Albus.
Rose sentou-se, estafada, num sofá repleto de almofadas fofas e confortáveis. À sua frente tinha a lareira e por cima dela, em tamanho grande, o símbolo dos Gryffindor: um poderoso leão dourado e rodeado de vermelho. Albus, esse, aventurara-se à descoberta de tudo o que pudesse encontrar de novo. Olhou então a sala circular com cuidado: aos seus pés um tapete com cores pretas vermelhas e cremes adornava o chão; no lado direito, três mesas redondas de madeira convidavam a ler um dos poucos livros que tinham em cima; à sua esquerda mais sofás; e por fim a lareira, para a qual a prima olhava encantada. Reparou também numas escadas que subiam de forma espiral. Antes que pudesse observar mais alguma coisa, Vinicius falou quebrando-lhe a atenção.
- Bem já é muito tarde e as ordens que tenho são de vos deixar deitadinhos e quietinhos, portanto, ‘bora para cima!
Subiu as escadas e parou à frente da primeira porta.
- Este, aqui, é o dormitório das raparigas. Atenção! Ninguém entra no dormitório de ninguém! Vocês, meninas, podem ficar já aqui. Boa noite! – desejou ele começando a subir o resto das escadas circulares que sobravam e abriu uma outra porta. Pôs-se, no entanto, à frente deles.
- Eu disse há pouco tempo que ninguém podia entrar no dormitório de ninguém, só que menti. Na verdade, as raparigas podem entrar nos dormitórios dos rapazes. – um leve descontentamento percorreu a cara dos rapazes. - Não o disse à frente delas apenas para, pelo menos hoje, não serem incomodados com visitas nocturnas.
Dito isto desviou-se. Os alunos entraram e depararam-se com uma sala cheia de camas. Cada cama tinha um baú aos pés e ao lado a bagagem de cada aluno. Albus procurou imediatamente a sua, pelo que a encontrou mesmo ao pé da janela.
- Eu tenho de tratar de umas coisas ainda. Vocês é melhor deitarem-se e dormirem. – aconselhou regressando à porta – Amanhã vão ter um dia muito comprido! Boa noite! – e fechou a porta.
Não houve muita conversa. Os rapazes vestiram os pijamas e trocaram apenas uns rápidos “Até amanhã!”. Assim que todos se deitaram, a luz apagou-se.
Albus quase não conseguia dormir. A excitação do dia seguinte consumia-o. Eram quase três da manhã quando finalmente conseguiu adormecer, já quase todo destapado. A noite, lá fora, parecia ter mandado embora as estrelas, como se também ela se preparasse para um novo dia.
II capítulo - O castelo de Hogwarts
Rose e Claire não se falaram durante o resto da viagem. Pelo contrário, Scorpius e Albus falavam como se se tivessem conhecido desde sempre.
- Scorpius... – começou Albus – Achas que te posso chamar só Scorp? é que o teu nome é tão difícil de pronunciar...
- Claro que podes!
- Fixe!
-Ei, já começo a ver as torres do castelo... – anunciou Scorpius, olhando pela janela.
- A sério? – perguntou-lhe incrédulo, Albus – Uau! – pronunciou Albus espantado – é mesmo grande, não é?
Começaram a ouvir vozes a pedir que todos vestissem as suas roupas e mantos e que pusessem os seus chapéus de bico. Eles despacharam-se muito depressa e, depois de sentirem o comboio parar, avançaram para o corredor. Depois de muito tempo à espera, conseguiram finalmente sair do comboio. O céu estava carregado de estrelas muito brilhantes e a noite, calma. Uma voz alta e forte ecoou entre todas as outras que se manifestavam à saída do comboio. As quatro crianças olharam para a fonte da voz. Um homem alto, forte e muito barbudo gritava bem alto: “Primeiro ano! Primeiro ano, aqui ao pé de mim! Aqui!”
Albus e Rose chegaram-se mais ao pé do meio gigante e Scorpius e Claire seguiram-lhes as passadas.
- Ora, o qu’é que nós temos’aqui? – perguntou ele muito animado.
- Olá Hagrid! – cumprimentaram animadamente Albus e Rose.
- Olá, pequenotes!
- Pequenotes, não! – retorquiu Albus, mostrando-se um pouco ofendido.
- ‘Tá bem, ‘tá bem... Com’é que foram as férias? – perguntou-lhes enquanto os começava a conduzir por um caminho de terra batida
- Ah, foram boas... – respondeu Albus
- Rose, larga o livro. Ainda vais cair! – avisou Hagrid vendo que Rose continuava a ler apesar de estar a andar.
- Descansa, Hagrid, ela não cai. E mesmo que caísse...nunca ouviste dizer que vazo ruim não quebra?! – declarou Albus, e começou logo a correr com Rose atrás, de livro debaixo do braço.
- Olhem que vocês ‘inda se magoam! – gritou bem alto, apesar de saber que eles não lhe iriam dar atenção. Olhou novamente para baixo e reparou em Claire.
- Então e tu, Claire? Contente por ‘tares finalmente ao pé dos teus pais? – perguntou-lhe enquanto continuava a caminhar, ainda de olho em Albus que continuava a ser perseguido por Rose.
- Sim, muito. Finalmente juntos sem ser nas férias! – afirmou muito contente.
-Ah, iss’é bom, é muito bom...Então e tu, rapaz, como te chamas? – dirigia-se a Scorpius.
- Scorpius Malfoy. – afirmou prontamente.
- Malfoy?! -indagou espantado – Há muito que andava p’ra te conhecer...Como é qu’anda o teu pai? Ainda viaja muito?
- Sim, ainda, quase não pára em casa. – declarou, mostrando-se um pouco triste.
Estavam a chegar a um lago muito vasto, em cuja margem ancoravam sete barcos médios de madeira. Rose corria ainda atrás do primo, mas parou ao ver o castelo agora tão próximo. Albus apercebendo-se de que já não era perseguido tentou seguir o olhar da prima. Um sonoro “ Uau” se ouviu da sua e de muitas outras bocas espantadas.
- Vamos entrem nos barcos e tentem não fazer muito barulho. A lula gigante tem uns ouvidos muito sensíveis!
Logo todos os alunos se apressaram a olhar para a água que, no entanto, se apresentava calma qual lençol estendido ao luar.
- Ele esta a brincar, certo? – perguntou Albus aos outros quando entravam muito apressados no barco.
- Não, não estou, menino Albus...Vá, a mexer, a mexer... Vai mais p’ra frente, Albus!
- Mais que isto? – confrontou-o Albus, visto não poder chegar-se mais para a frente sem correr o risco de cair na água.
Hagrid subiu para o mesmo barco que eles e, sem qualquer ordem, estes começaram a andar. Eram iluminados com uma espécie de lamparina à frente pelo que todos os alunos se aproximaram um pouco da água para tentarem ver o tal monstro.
- Metam a cabeça p’ra dentro, seus abelhudos! – gritou Hagrid a alto e bom som. Como se viesse de um general, todos obedeceram à ordem prontamente e limitaram-se a olhar para a frente. Os barcos eram rápidos e foi, também, muito rapidamente que chegaram à outra margem.
- Bem, - gritou mais uma vez Hagrid – a partir daqui ‘tão entregues ao encarregado Filch, que vos vai guiar até à entrada do castelo.
Todod os alunos olharam para onde Hagrid apontava. Um homem velho, de olhos encovados e de barba cinzenta esperava-os ao pé de umas árvores. Ao colo tinha uma gata também cinzenta muito escanzelada.
- Não tenham medo dele, - apressou-se a dizer Hagrid - ele nã faz mal nenhum a ningém...é só uma pessoa mal disposta, n’é Filch?
- Cala mas é a boca, oh Hagrid, e vai trabalhar! – mandou o homem fazendo toda a gente estremecer.
Hagrid riu-se baixinho.
- Vá, pronto...vou-me embora! – disse bem alto. Depois aproximou-se de Albus, Rose, Scorpius e Claire e murmurou – Encontramo-nos todos no banquete de boas vindas...’té já!
E afastou-se a passos largos pela floresta.
- Estão a ver aquela floresta por onde aquele gigante idiota entrou? – começou Filch - Aquilo é a Floresta Proibida! Quem lá entrar sem autorização tem direito a uma viagem de regresso a casa, han? Bem...
Começaram a andar agora por um caminho de pedra que os levava a umas escadas de mármore. Subiram e entraram no que parecia ser um gigantesco hall de entrada. Filch mandou-os parar e subiu outras escadas, entrando por uma porta um pouco grande, de madeira. Assim que o viram desaparecer todos os alunos, sem excepção, encostaram-se ao corrimão ou sentaram-se nas escadas.
- Chiça...esta caminhada está a ser cansativa....- confessou Albus, que se encostara no corrimão.
- Eu não sei porque é que eles fazem isto... – disse Claire – Afinal, os outros anos vêm sempre nas carruagens para a escola.
- A sério? – perguntaram Scorpius e Allbus ao mesmo tempo.
- Se calhar querem cansar-nos para que não andemos a vaguear por aí, durante a noite... – disse Scorpius.
- Oh isso é impossível! – afirmou Rose.
Albus fez um sinal a Scorpius para que ele se preparasse para uma definição própria da prima.
- Vá, conta lá, priminha!
Rose fez um risinho sarcástico a Albus, mas não se conteve.
- É impossível porque todos os corredores, de há uns tempos para cá, estão cheios de feitiços de alarme que avisam qualquer professor ou funcionário da escola se um aluno está a percorrê-los. Mesmo por entre as salas, quadros foram meticulosamente espalhados para comunicar a presença de alguém que não devia lá estar.
- Ah sim? – perguntou-lhe Albus – Isso é porque não nos conhecem, não é Scorp? – perguntou-lhe piscando o olho, ao que Scorpius acenou.
- Hum...Gostava de vos ver tentar, é que, para além de toda esta protecção, sempre que um aluno é apanhado fora da cama é obrigado a passar uma noite com o Filch na floresta negra, para além de que, faz a sua equipa perder pontos!
- Mas o Filch não disse que era proibido? – perguntou Scorpius tentando lembrar-se do que o encarregado havia dito.
- Não! Ele não disse que era proibido entrar na Floresta Negra, mas sim entrar na Floresta Negra sem autorização. – esclareceu-o ela.
Aporta abriu-se novamente e dela saiu Filch acompanhado por uma mulher alta e esbelta.
- Boa noite! – cumprimentou ela, calmamente ao que os alunos responderam – O meu nome Malodora Somnolens e serei a vossa professora de Transfiguração.
Um rápido murmurinho se espalhou pelo grupo e Albus perguntou a Scorpius:
- Transfiguração é aquela cena em que se transforma uma coisa em outra, não é?
- Agora, vão entrar comigo no salão onde o Chapéu Seleccionador vos dirá quais serão as vossas equipas. Existem quatro equipas em Hoqgwarts: Hufflepuff; Ravenclaw; Slytherin e Gryffindor. Espero que tenham todos um excelente no lectivo. Agora vamos.
E abriu a porta por onde passou muito rapidamente fazendo com que todos tivessem quase que correr para a apanhar.
- Scorpius... – começou Albus – Achas que te posso chamar só Scorp? é que o teu nome é tão difícil de pronunciar...
- Claro que podes!
- Fixe!
-Ei, já começo a ver as torres do castelo... – anunciou Scorpius, olhando pela janela.
- A sério? – perguntou-lhe incrédulo, Albus – Uau! – pronunciou Albus espantado – é mesmo grande, não é?
Começaram a ouvir vozes a pedir que todos vestissem as suas roupas e mantos e que pusessem os seus chapéus de bico. Eles despacharam-se muito depressa e, depois de sentirem o comboio parar, avançaram para o corredor. Depois de muito tempo à espera, conseguiram finalmente sair do comboio. O céu estava carregado de estrelas muito brilhantes e a noite, calma. Uma voz alta e forte ecoou entre todas as outras que se manifestavam à saída do comboio. As quatro crianças olharam para a fonte da voz. Um homem alto, forte e muito barbudo gritava bem alto: “Primeiro ano! Primeiro ano, aqui ao pé de mim! Aqui!”
Albus e Rose chegaram-se mais ao pé do meio gigante e Scorpius e Claire seguiram-lhes as passadas.
- Ora, o qu’é que nós temos’aqui? – perguntou ele muito animado.
- Olá Hagrid! – cumprimentaram animadamente Albus e Rose.
- Olá, pequenotes!
- Pequenotes, não! – retorquiu Albus, mostrando-se um pouco ofendido.
- ‘Tá bem, ‘tá bem... Com’é que foram as férias? – perguntou-lhes enquanto os começava a conduzir por um caminho de terra batida
- Ah, foram boas... – respondeu Albus
- Rose, larga o livro. Ainda vais cair! – avisou Hagrid vendo que Rose continuava a ler apesar de estar a andar.
- Descansa, Hagrid, ela não cai. E mesmo que caísse...nunca ouviste dizer que vazo ruim não quebra?! – declarou Albus, e começou logo a correr com Rose atrás, de livro debaixo do braço.
- Olhem que vocês ‘inda se magoam! – gritou bem alto, apesar de saber que eles não lhe iriam dar atenção. Olhou novamente para baixo e reparou em Claire.
- Então e tu, Claire? Contente por ‘tares finalmente ao pé dos teus pais? – perguntou-lhe enquanto continuava a caminhar, ainda de olho em Albus que continuava a ser perseguido por Rose.
- Sim, muito. Finalmente juntos sem ser nas férias! – afirmou muito contente.
-Ah, iss’é bom, é muito bom...Então e tu, rapaz, como te chamas? – dirigia-se a Scorpius.
- Scorpius Malfoy. – afirmou prontamente.
- Malfoy?! -indagou espantado – Há muito que andava p’ra te conhecer...Como é qu’anda o teu pai? Ainda viaja muito?
- Sim, ainda, quase não pára em casa. – declarou, mostrando-se um pouco triste.
Estavam a chegar a um lago muito vasto, em cuja margem ancoravam sete barcos médios de madeira. Rose corria ainda atrás do primo, mas parou ao ver o castelo agora tão próximo. Albus apercebendo-se de que já não era perseguido tentou seguir o olhar da prima. Um sonoro “ Uau” se ouviu da sua e de muitas outras bocas espantadas.
- Vamos entrem nos barcos e tentem não fazer muito barulho. A lula gigante tem uns ouvidos muito sensíveis!
Logo todos os alunos se apressaram a olhar para a água que, no entanto, se apresentava calma qual lençol estendido ao luar.
- Ele esta a brincar, certo? – perguntou Albus aos outros quando entravam muito apressados no barco.
- Não, não estou, menino Albus...Vá, a mexer, a mexer... Vai mais p’ra frente, Albus!
- Mais que isto? – confrontou-o Albus, visto não poder chegar-se mais para a frente sem correr o risco de cair na água.
Hagrid subiu para o mesmo barco que eles e, sem qualquer ordem, estes começaram a andar. Eram iluminados com uma espécie de lamparina à frente pelo que todos os alunos se aproximaram um pouco da água para tentarem ver o tal monstro.
- Metam a cabeça p’ra dentro, seus abelhudos! – gritou Hagrid a alto e bom som. Como se viesse de um general, todos obedeceram à ordem prontamente e limitaram-se a olhar para a frente. Os barcos eram rápidos e foi, também, muito rapidamente que chegaram à outra margem.
- Bem, - gritou mais uma vez Hagrid – a partir daqui ‘tão entregues ao encarregado Filch, que vos vai guiar até à entrada do castelo.
Todod os alunos olharam para onde Hagrid apontava. Um homem velho, de olhos encovados e de barba cinzenta esperava-os ao pé de umas árvores. Ao colo tinha uma gata também cinzenta muito escanzelada.
- Não tenham medo dele, - apressou-se a dizer Hagrid - ele nã faz mal nenhum a ningém...é só uma pessoa mal disposta, n’é Filch?
- Cala mas é a boca, oh Hagrid, e vai trabalhar! – mandou o homem fazendo toda a gente estremecer.
Hagrid riu-se baixinho.
- Vá, pronto...vou-me embora! – disse bem alto. Depois aproximou-se de Albus, Rose, Scorpius e Claire e murmurou – Encontramo-nos todos no banquete de boas vindas...’té já!
E afastou-se a passos largos pela floresta.
- Estão a ver aquela floresta por onde aquele gigante idiota entrou? – começou Filch - Aquilo é a Floresta Proibida! Quem lá entrar sem autorização tem direito a uma viagem de regresso a casa, han? Bem...
Começaram a andar agora por um caminho de pedra que os levava a umas escadas de mármore. Subiram e entraram no que parecia ser um gigantesco hall de entrada. Filch mandou-os parar e subiu outras escadas, entrando por uma porta um pouco grande, de madeira. Assim que o viram desaparecer todos os alunos, sem excepção, encostaram-se ao corrimão ou sentaram-se nas escadas.
- Chiça...esta caminhada está a ser cansativa....- confessou Albus, que se encostara no corrimão.
- Eu não sei porque é que eles fazem isto... – disse Claire – Afinal, os outros anos vêm sempre nas carruagens para a escola.
- A sério? – perguntaram Scorpius e Allbus ao mesmo tempo.
- Se calhar querem cansar-nos para que não andemos a vaguear por aí, durante a noite... – disse Scorpius.
- Oh isso é impossível! – afirmou Rose.
Albus fez um sinal a Scorpius para que ele se preparasse para uma definição própria da prima.
- Vá, conta lá, priminha!
Rose fez um risinho sarcástico a Albus, mas não se conteve.
- É impossível porque todos os corredores, de há uns tempos para cá, estão cheios de feitiços de alarme que avisam qualquer professor ou funcionário da escola se um aluno está a percorrê-los. Mesmo por entre as salas, quadros foram meticulosamente espalhados para comunicar a presença de alguém que não devia lá estar.
- Ah sim? – perguntou-lhe Albus – Isso é porque não nos conhecem, não é Scorp? – perguntou-lhe piscando o olho, ao que Scorpius acenou.
- Hum...Gostava de vos ver tentar, é que, para além de toda esta protecção, sempre que um aluno é apanhado fora da cama é obrigado a passar uma noite com o Filch na floresta negra, para além de que, faz a sua equipa perder pontos!
- Mas o Filch não disse que era proibido? – perguntou Scorpius tentando lembrar-se do que o encarregado havia dito.
- Não! Ele não disse que era proibido entrar na Floresta Negra, mas sim entrar na Floresta Negra sem autorização. – esclareceu-o ela.
Aporta abriu-se novamente e dela saiu Filch acompanhado por uma mulher alta e esbelta.
- Boa noite! – cumprimentou ela, calmamente ao que os alunos responderam – O meu nome Malodora Somnolens e serei a vossa professora de Transfiguração.
Um rápido murmurinho se espalhou pelo grupo e Albus perguntou a Scorpius:
- Transfiguração é aquela cena em que se transforma uma coisa em outra, não é?
- Agora, vão entrar comigo no salão onde o Chapéu Seleccionador vos dirá quais serão as vossas equipas. Existem quatro equipas em Hoqgwarts: Hufflepuff; Ravenclaw; Slytherin e Gryffindor. Espero que tenham todos um excelente no lectivo. Agora vamos.
E abriu a porta por onde passou muito rapidamente fazendo com que todos tivessem quase que correr para a apanhar.
capítulo I - O comboio de Hogwarts
-O que foi, Rose?- perguntou-lhe Albus, quando tinham acabado de descobrir um compartimento vazio. Rose estava um pouco taciturna desde que tinham deixado os pais na estação 9 ¾ , que se mostrava cada vez mais longe, até desaparecer.
-Humm...Achas que este ano nos vai correr bem, Albus?- perguntou-lhe sentando-se ao pé da janela.
- Não sei, priminha. Mas ‘tas preocupada com isso, agora? Rose, ainda nem chegamos à escola, portanto tem calma, sim?!
-É que..sabes, a minha mãe...ela diz que é para eu não querer saber tudo logo de uma vez, como ela fez...ela disse-me para eu ter calma, mas é tão difícil e como tu dizes ainda nem chegamos à escola...
- Uou, prima, tem calma! ‘Tás a deixar-me confuso, pá!
De repente a porta do compartimento abriu-se e nele entrou um rapaz loiro e da mesma idade que eles.
-Ola...ah desculpem...eu posso sentar-me com vocês?- perguntou timidamente.
- Claro que podes...senta-te! – disse, animado, Albus.
Rose parecia demasiado distraída a ler o livro “Conhecimentos de Magia” para reparar na chegada do rapaz. Este sentou-se ao lado de Albus, e ele não perdeu tempo e meteu logo conversa.
- Então...tu és o Scorpius Malfoy, não és? – perguntou sorridente.
- Sim, sou...porquê?
- Por nada...O meu pai falou-me muito no teu. – afirmou recostando-se no banco.
- A sério? – questionou-o Scorpius – E quem é o teu pai?- perguntou-lhe secamente.
-O meu pai é Harry Potter. – Afirmou Albus
- Ah! – entusiasmou-se Scorpius –O meu pai também me falou do teu! E então, como te chamas?
-Chamo-me Albus...O teu nome é mesmo Scorpius? – perguntou-llhe, não conseguindo disfarçar um sorriso que lhe aflorou os lábios.
Scorpius, em vez de levar a mal, sorriu também.
- É. Os meus pais têm gostos esquisitos!
Quando acabou de dizer estas palavras, eis que a porta do compartimento se volta a abrir e por ela entra uma rapariga com olhos sonhadores cor de mel e cabelo loiro penteado numa só trança.
- Olá, Claire! – saudou vivamente Rose, fazendo sinal para que ela se sentasse ao seu lado. Começaram rapidamente a conversar, pelo que Rose se esqueceu daquilo que estava a ler.
Scorpius fitou a rapariga durante algum tempo até que Rose os resolveu apresentar.
- Claire, este aqui é...- mas estacou e olhou para Malfoy – desculpa, como é mesmo o teu nome?
- Scorpius...O meu nome é Scorpius Malfoy.
-Pois...Scorpius Malfoy. – depois apontou para a rapariga ao seu lado. – Esta aqui é Claire Longbottom, e eu, - continuou, agora apontando para si - desculpa não me ter apresentado à pouco, mas estava imersa na fabulosa magia que envolve a escola...
-Esta é Rose Weasley! – declarou prontamente Albus, vendo que a prima começava a desviar-se do assunto.
- Ah, o meu pai também me falou muito dos teus.
- Ah, a sério? – questionou-o, curiosa.
- Hum, hum! .- afirmou assentindo com a cabeça. Ouviram um barulho no corredor e Albus e Scorpius levantaram-se para ir ver o que se passava. Abriram a porta e uma senhora muito velha apareceu-lhes trazendo um carrinho cheio de doces e guloseimas. Compraram um pouco de tudo e puseram tudo num assento vago. Divertiram-se a desembrulhar os sapos de chocolate e a mostrarem os cromos, juntamente com Claire, enquanto Rose se perdera novamente na leitura.
- Pois os meus pais são os dois professores de Hogwarts e eu moro com a minha bisavó. – disse Claire enquanto abria um pacote de feijões da Bertie Bott. – costumava vir visitar os meus pais durante o ano lectivo, mas agora vou poder estar com eles a tempo inteiro.
- Deve ser muito difícil não ter os pais por perto todos os dias... – afirmou Scorpius.
- Sim, houve certos momentos que não foram muito fáceis...mas só de saber que agora vou poder estar com eles a tempo inteiro... – e sorrio, mostrando como essa ideia a fazia feliz.
- Eles são professores de quê? – voltou a perguntar-lhe Scorpius.
- O meu pai é professor de Herbologia e a minha mãe é professora de Adivinhação.
- Adivinhação? – inquiriu Malfoy.
- Pois é, Claire, explica lá isso...continuo sem perceber muito bem... – pediu Albus.
- Bem...Adivinhação é uma disciplina em que medes o teu poder psíquico para adivinhares o que vai acontecer no futuro...
- A sério? – interrompeu Malfoy – isso é possível?
- É, claro que é....
- Uma perda de tempo se querem a minha opinião – irrompeu Rose, deixando um pouco livro para comentar, apesar de continuar a lê-lo. – Desculpa que te diga, Claire, mas é o que eu acho...A minha mãe diz, e eu concordo com ela, que o futuro é totalmente imprevisível.
- Rose, então como explicas que a minha mãe tenha adivinhado a queda daquele avião em Londres, han? – perguntou num tom de desafio.
- Tudo tem uma explicação lógica, Claire...Até mesmo eu com os cálculos certos poderia saber que de facto não era um bom dia para o avião levantar voo! – atirou-lhe Rose, enfrentando-a.
- Com cálculos? – Claire ficava cada vez mais nervosa – A minha mãe não fez cálculos e mesmo assim adivinhou-o!
- Pois, mas o meu avô diz que os muggles foram muito parvos em querer pôr uma máquina como aquela no ar, visto que eles têm um sistema de qualquer espécie que indica se é um bom dia para voar ou não...
- Ah sim? Então pergunta ao teu avô quem é que envia o boletim meteorológico certo aos aviões, e vê se eu não tenho razão!
Rose ficou subitamente muito vermelha, característica que herdara do pai. Malfoy e Albus riam-se baixinho daquela discussão enquanto comiam os doces.
-Humm...Achas que este ano nos vai correr bem, Albus?- perguntou-lhe sentando-se ao pé da janela.
- Não sei, priminha. Mas ‘tas preocupada com isso, agora? Rose, ainda nem chegamos à escola, portanto tem calma, sim?!
-É que..sabes, a minha mãe...ela diz que é para eu não querer saber tudo logo de uma vez, como ela fez...ela disse-me para eu ter calma, mas é tão difícil e como tu dizes ainda nem chegamos à escola...
- Uou, prima, tem calma! ‘Tás a deixar-me confuso, pá!
De repente a porta do compartimento abriu-se e nele entrou um rapaz loiro e da mesma idade que eles.
-Ola...ah desculpem...eu posso sentar-me com vocês?- perguntou timidamente.
- Claro que podes...senta-te! – disse, animado, Albus.
Rose parecia demasiado distraída a ler o livro “Conhecimentos de Magia” para reparar na chegada do rapaz. Este sentou-se ao lado de Albus, e ele não perdeu tempo e meteu logo conversa.
- Então...tu és o Scorpius Malfoy, não és? – perguntou sorridente.
- Sim, sou...porquê?
- Por nada...O meu pai falou-me muito no teu. – afirmou recostando-se no banco.
- A sério? – questionou-o Scorpius – E quem é o teu pai?- perguntou-lhe secamente.
-O meu pai é Harry Potter. – Afirmou Albus
- Ah! – entusiasmou-se Scorpius –O meu pai também me falou do teu! E então, como te chamas?
-Chamo-me Albus...O teu nome é mesmo Scorpius? – perguntou-llhe, não conseguindo disfarçar um sorriso que lhe aflorou os lábios.
Scorpius, em vez de levar a mal, sorriu também.
- É. Os meus pais têm gostos esquisitos!
Quando acabou de dizer estas palavras, eis que a porta do compartimento se volta a abrir e por ela entra uma rapariga com olhos sonhadores cor de mel e cabelo loiro penteado numa só trança.
- Olá, Claire! – saudou vivamente Rose, fazendo sinal para que ela se sentasse ao seu lado. Começaram rapidamente a conversar, pelo que Rose se esqueceu daquilo que estava a ler.
Scorpius fitou a rapariga durante algum tempo até que Rose os resolveu apresentar.
- Claire, este aqui é...- mas estacou e olhou para Malfoy – desculpa, como é mesmo o teu nome?
- Scorpius...O meu nome é Scorpius Malfoy.
-Pois...Scorpius Malfoy. – depois apontou para a rapariga ao seu lado. – Esta aqui é Claire Longbottom, e eu, - continuou, agora apontando para si - desculpa não me ter apresentado à pouco, mas estava imersa na fabulosa magia que envolve a escola...
-Esta é Rose Weasley! – declarou prontamente Albus, vendo que a prima começava a desviar-se do assunto.
- Ah, o meu pai também me falou muito dos teus.
- Ah, a sério? – questionou-o, curiosa.
- Hum, hum! .- afirmou assentindo com a cabeça. Ouviram um barulho no corredor e Albus e Scorpius levantaram-se para ir ver o que se passava. Abriram a porta e uma senhora muito velha apareceu-lhes trazendo um carrinho cheio de doces e guloseimas. Compraram um pouco de tudo e puseram tudo num assento vago. Divertiram-se a desembrulhar os sapos de chocolate e a mostrarem os cromos, juntamente com Claire, enquanto Rose se perdera novamente na leitura.
- Pois os meus pais são os dois professores de Hogwarts e eu moro com a minha bisavó. – disse Claire enquanto abria um pacote de feijões da Bertie Bott. – costumava vir visitar os meus pais durante o ano lectivo, mas agora vou poder estar com eles a tempo inteiro.
- Deve ser muito difícil não ter os pais por perto todos os dias... – afirmou Scorpius.
- Sim, houve certos momentos que não foram muito fáceis...mas só de saber que agora vou poder estar com eles a tempo inteiro... – e sorrio, mostrando como essa ideia a fazia feliz.
- Eles são professores de quê? – voltou a perguntar-lhe Scorpius.
- O meu pai é professor de Herbologia e a minha mãe é professora de Adivinhação.
- Adivinhação? – inquiriu Malfoy.
- Pois é, Claire, explica lá isso...continuo sem perceber muito bem... – pediu Albus.
- Bem...Adivinhação é uma disciplina em que medes o teu poder psíquico para adivinhares o que vai acontecer no futuro...
- A sério? – interrompeu Malfoy – isso é possível?
- É, claro que é....
- Uma perda de tempo se querem a minha opinião – irrompeu Rose, deixando um pouco livro para comentar, apesar de continuar a lê-lo. – Desculpa que te diga, Claire, mas é o que eu acho...A minha mãe diz, e eu concordo com ela, que o futuro é totalmente imprevisível.
- Rose, então como explicas que a minha mãe tenha adivinhado a queda daquele avião em Londres, han? – perguntou num tom de desafio.
- Tudo tem uma explicação lógica, Claire...Até mesmo eu com os cálculos certos poderia saber que de facto não era um bom dia para o avião levantar voo! – atirou-lhe Rose, enfrentando-a.
- Com cálculos? – Claire ficava cada vez mais nervosa – A minha mãe não fez cálculos e mesmo assim adivinhou-o!
- Pois, mas o meu avô diz que os muggles foram muito parvos em querer pôr uma máquina como aquela no ar, visto que eles têm um sistema de qualquer espécie que indica se é um bom dia para voar ou não...
- Ah sim? Então pergunta ao teu avô quem é que envia o boletim meteorológico certo aos aviões, e vê se eu não tenho razão!
Rose ficou subitamente muito vermelha, característica que herdara do pai. Malfoy e Albus riam-se baixinho daquela discussão enquanto comiam os doces.
Olá! O meu nome é Laúnn e aqui, neste blog, publicarei a minha fanfic sobre o Harry Potter. Como poderão vir a reparar, trata-se da continuação da história do Harry, desta vez com os seus filhos e os filhos dos seus amigos, colegas e até familiares...Espero mesmo que gostem e que passem um tempinho agradável ao ler a minha fic.
kiss kiss,
Laúnn
P.S.: Como já devem ter reparado os capítulos que aqui vou publicar já foram publicados num outro blog, onde tenho, não só a fic, como também outras coisinhas que de vez em quando me apetece escrever. No entanto, este blog servirá ,exclusivamente, para a fanfic do Harry. Adeus.
kiss kiss,
Laúnn
P.S.: Como já devem ter reparado os capítulos que aqui vou publicar já foram publicados num outro blog, onde tenho, não só a fic, como também outras coisinhas que de vez em quando me apetece escrever. No entanto, este blog servirá ,exclusivamente, para a fanfic do Harry. Adeus.
Subscrever:
Mensagens (Atom)