quinta-feira, 1 de maio de 2008

III capítulo - Hufflepuff, Ravenclaw, Slytherin e Gryffindor

Entraram num salão muito grande onde as velas que o iluminavam pairavam no ar. As paredes estavam cobertas de quatro bandeiras diferentes: uma com um texugo, outra com um leão, mais uma com uma cobra e outra com uma águia.Olharam instintivamente para o tecto e viram que transparecia a noite que haviam visto há momentos atrás.
- Oh, não tenham medo! O tecto foi encantado para que se parecesse com a noite– afirmou Claire, antecipando-se a Rose que se preparava para dar mais uma das suas definições complexas.
Centenas de cabeças se voltaram para eles logo que entraram. Albus distinguiu o irmão mais velho, James, entre elas e não hesitou em dizer-lhe um adeus ao que ele correspondeu. Naquele salão haviam quatro mesas muito compridas posicionadas de forma vertical, que eles deduziram pertencer a cada equipa. Dirigiam-se para o fundo do salão onde se encontrava uma mesa em horizontal, onde se encontravam os professores. No lado esquerdo da mesa estava uma cadeira muito velha de madeira que parecia conter um molho de trapos escuros e esfarrapados.
- Vamos mexam-se meninos. – ordenou Malodora, quando já subira os três degraus e chegara ao pé da cadeira – Posicionem-se aqui... – disse ela, apontando para que não subissem os degraus mantendo-se assim mais em baixo que ela e os outros professores.
Eles formaram ainda um grupo mais apertado e, todos os juntos, com os seus chapéus de bico, pareciam formar um aglomerado de pequenos anões vestidos de preto.
- Vamos começar com a cerimónia da selecção. – declarou Malodora, enquanto retirava de um bolso do manto um rolo de pergaminho atado com um laço azul. – Assim que eu chamar o vosso nome, subirão as escadas e sentar-se-ão nesta cadeira, onde o chapéu seleccionador – “Ah, então aquilo é um chapéu!” pensou Albus - vos dirá em que equipa é que ficarão até completarem o vosso ensino aqui em Hogwarts.
Um certo nervosismo se espelhou na cara dos novos alunos.
- Em que equipa é que achas que vais ficar? – perguntou Albus a Scorpius, muito ansioso.
- Humm...não sei...o meu pai era dos Slytherin, portanto devo ficar na mesma equipa que ele.
- Ah...Então eu devo ficar nos Gryffindor...De qualquer forma vamos continuar a falar-nos, n’é?
- Podes crer, Albus! – disse animadamente Scorpius.
A professora Malodora começou a desenrolar o pergaminho, após tirar a fita que o envolvia.
- Abendaff, Bernard! – começou por chamar.
Um rapaz de cabelo castanho subiu as escadas em direcção à cadeira. A professora levantou o chapéu e, após Bernard se sentar, pousou-o sobre a sua cabeça. O chapéu, para surpresa de todos, falou e anunciou bem alto: Gryffindor! A selecção continuou e após terem sido chamados dois rapazes e três raparigas, foi a vez de Albus se sentar na cadeira. A professora tal como fizera com os alunos que o antecederam, colocou o Chapéu Seleccionador na cabeça de Albus. Mal tocou nos seus cabelos o Chapéu gritou mais uma vez “Gryffindor!”, ao que Albus foi delirante a correr para a mesa da sua equipa. James abriu espaço ao seu lado para o irmão se sentar e este foi recebido com muitas palmadas nas costas dos amigos dele, que já conhecia das férias de Verão. Procurou ansiosamente Scorpius entre as cabeças nervosas dos seus colegas e encontrou-o ao lado de Rose que não parava de roer as unhas. Scorpius foi chamado e, tal como acontecera com Albus, o Chapéu não precisou de lhe tocar na cabeça. Mal sentiu os cabelos de Scorpius Malfoy anunciou “Slytherin!”, à mesa dos quais este se foi sentar, acenando a Albus. Procuravam os dois, agora, Rose e Claire. Viram Claire muito distraída a ler uma revista de cor azul forte, como se nada do que naquele momento estivesse a acontecer, lhe dissesse respeito. Rose estava ao seu lado muito pálida e visivelmente preocupada. Finalmente chamaram-na e ela, quase automaticamente, chegou até à cadeira. Sentou-se e esperou que a professora lhe colocasse o Chapéu. A professora assim o fez. O Chapéu manteve-se em cima da sua cabeça durante quase três minutos, durante os quais Albus viu Rose fazer figas. Quando finalmente o Chapéu gritou “Gryffindor!” Rose saltou da cadeira aos pulinhos e entregou-o com ar satisfeito a Malodora, que estranhou tanta felicidade. Desta vez foi Albus quem abriu espaço entre os colegas.
- Então...não foi assim tão mau, pois não? - perguntou-lhe batendo-lhe ao de leve com o cotovelo.
- Não... – confirmou Rose, muito corada – Não foi assim tão mau...
Esperaram pela selecção de Claire que também veio para os Gryffindor. Chegou à mesa da equipa muito desanimada.
- Que pena, gostava de ter ido para os Hufflepuff... – confessou ao sentar-se.
A selecção não tardou a terminar e assim que o último nome foi para os Ravenclaw, os burburinhos começaram a ouvir-se.
Uma mulher alta e magra com o cabelo preso num rolo, levantou-se da mesa e foi ter à estátua de uma águia dourada que se encontrava mais afastada dos professores. Atrás dela, tossiu, e o barulho que fez ecoou por toda a sala. Limpou a voz novamente e olhou para todas as mesas que estavam no salão.
O salão caiu no silêncio.
- Quem é, James? – perguntou Albus muito baixinho.
- É a professora McGonagall. É a directora da escola.
A directora ía falar.
- Este ano, como em todos os outros que o antecederam, temos novos alunos. – começou com a sua voz calma e no entanto, objectiva. - Entre eles, espero encontrar mentes brilhantes, capazes de se esforçarem para darem o melhor pelas suas equipas e por si mesmos. Peço novamente, a todos os alunos que já cá estão há mais tempo, que ajudem os novos alunos e que os esclareçam em todas as suas dúvidas. Mr. Filch já vos deve ter avisado de que não serão permitidos quaisquer tipos de passeios pela Floresta Negra e que, caso os façam, serão punidos com regresso a casa sem qualquer possibilidade de voltarem a Hogwarts. A todos os outros, tenham um magnífico ano lectivo e especialmente aos alunos do quinto ano, não se esqueçam que terão NPF’s ainda este ano! Bom apetite! – e voltou à mesa. Assim que Albus e todos os outros olharam para as mesas viram-nas recheadas de comida. Serviram-se e começaram a conversar.
- Então, Albus...Muito nervoso com as aulas? – perguntou-lhe James servindo-se de uma perna de frango.
- O quê? Aulas? Quando? – perguntou-lhe enquanto mastigava também ele um pedaço de frango.
- Sim, aulas! Ou pensas que vens para cá passar férias?! – questionou-o rindo-se.
-Não, primo – começou Rose enquanto lia novamente o livro e bebia um copo de sumo de abóbora – ele está à espera que alguém lhe faça o servicinho todo!
- Ah, mas olha que isso aqui não cola, mano! – disse James olhando para o irmão. – Aqui tens mesmo de te esforçar!
- Ah, ‘tá bem! Diz isso ao meu cérebro! – gozou Albus.
Mal acabaram de comer, os pratos e os restos do jantar desapareceram como se fossem sugados pelo ar. Os mais velhos mais habituados, olharam imediatamente para a mesa dos professores. A directora levantou-se novamente mas não se afastou da mesa.
- Agora que estão com o estômago cheio é hora de irem para a cama. Especialmente os alunos do primeiro ano devem estar muito cansados depois da caminhada.
“Podes crer!” disse Albus baixinho.
- Amanhã vão começar as vossas aulas pelo que têm de descansar. Os prefeitos das equipas conduzir-vos-ão aos vossos dormitórios. Boa noite e até amanha.
Depois destas últimas palavras, afastou-se da mesa, dirigindo-se a uma porta que se encontrava um pouco à esquerda atrás dela. O manto verde escuro arrastava-se atrás dela e assim que ela e os outros professores desapareceram pela porta, o barulho voltou a fazer-se ouvir no salão.
- Sigam-me! – gritou um rapaz alto e loiro do sexto ano. – Gryffindor, primeiro ano, sigam-me!
Albus pôs-se na fila que se formara à frente do rapaz.
- O meu nome é Vinicius, e sou o prefeito dos Gryffindor. Qualquer problema vêm ter comigo, eu ajudo-vos.
Vendo que estavam todos, o rapaz começou a andar em direcção a uma outra porta de madeira. A porta abriu-se sem ajuda e, depois de percorrerem o hall de entrada, entraram por uma porta ainda maior. Os alunos mostraram-se surpresos com o que viram. Enormes escadarias moviam-se agitadas em todas as direcções parando à frente desta ou de outra porta.
Vinicius precaveu-os.
- As escadas são uma coisa perigosa aqui em Hogwarts. O meu segredo é pensar sempre para onde quero ir, sem erros, se fizerem isso elas não mudam de direcção!
E seguiram-no por uma escadaria à esquerda que estava encostada a uma parede repleta de quadros. À medida que andavam os quadros iam olhando para eles e comentando.
- Oh, temos novatos! – disse um dos homens de um quadro muito velho.
- Oh, mas que menino tão lindo... – comentou uma rapariga vestida de noiva de um quadro alto. Depois virou-se para Albus – Como te chamas, menino?
Albus ía a responder, mas Vinicius afastou-o do quadro e respondeu:
- Ele não tem nome....aliás, aqui ninguém tem nome, só tu!
Assim que ouviu estas palavras a rapariga sentou-se numa cadeira do quadro e começou a chorar. Albus chegou-se ao pé de Vinicius, preocupado com o quadro.
- Ah não te preocupes...- disse-lhe ele - Esta aqui é assim com todos...Mas não lhe digas o teu nome! Se ela descobre o teu nome, começa a perseguir-te, saltando de quadro em quadro. Uma vez um rapaz disse-lhe como se chamava e ela nunca mais o largou. Chegou a apanha-lo na casa de banho e tudo, vê lá!
- Fogo...tinha que me sair logo na rifa um quadro obcecado! Mas e se ela me perseguir só para saber o meu nome?
- Não, ‘tá descansado. Aquela ali foi enfeitiçada! Só te pode perseguir se tu e só tu lhe disseres o teu nome.
- A sério? – perguntou Rose que estivera a ouvir toda a explicação com uma atenção desmedida – Os quadros também podem ser enfeitiçados? A minha mãe nunca me tinha dito isso!
- Oh, sim! E ainda bem que o podem! Já viste o que era – disse virando-se para Albus – termos um quadro chato como ela atrás de nós?
- Acho que não lhe devias chamar isso! – afirmou Rose.
- Ah sim? E porque não? – perguntou-lhe Vinicius enquanto os continuava a guiar.
- Porque ela também tem sentimentos! – continuou Rose com ar ameaçador.
- Dizes isso porque és rapariga...queria ver se gostavas de ter um quadro sempre à perna! Bem chegamos.... – Rose ía ripostar mas resolveu engolir tudo o que ía dizer e deixá-lo explicar o que precisavam saber. Vinicius dirigiu-se ao grupo – Esta é a Dama Gorda - afirmou apontando para uma mulher gorda de vestido creme de seda e com o cabelo enrolado que parecia dormitar. Como fundo tinha um quarto à século XVIII com uma poltrona à direita - e é o quadro que guarda os nossos dormitórios e a sala comum. Sempre que quizerem entrar terão de lhe dizer a palavra-passe. – depois virou-se para o quadro. – Boa noite, Dama Gorda! – saudou.
A Dama despertou e os seus olhos pequenos pousaram em Vinicius.
- Boa noite, Vinicius – cumprimentou-o, bocejando, na sua voz pomposa. – Então, querido, qual é a palavra-passe?
- É Tummy-button, Dama Gorda! – respondeu-lhe prontamente Vinicius.
O quadro moveu-se para o lado e Vinicius entrou pela abertura que a Dama deixou visível. Todos os outros o seguiram. A admiração foi total. Tinham acabado de entrar numa sala de paredes forradas a papel vermelho escuro onde tudo parecia convida-los a descansar. Era “uma sala de descanso e não de convívio” pensou Albus.
Rose sentou-se, estafada, num sofá repleto de almofadas fofas e confortáveis. À sua frente tinha a lareira e por cima dela, em tamanho grande, o símbolo dos Gryffindor: um poderoso leão dourado e rodeado de vermelho. Albus, esse, aventurara-se à descoberta de tudo o que pudesse encontrar de novo. Olhou então a sala circular com cuidado: aos seus pés um tapete com cores pretas vermelhas e cremes adornava o chão; no lado direito, três mesas redondas de madeira convidavam a ler um dos poucos livros que tinham em cima; à sua esquerda mais sofás; e por fim a lareira, para a qual a prima olhava encantada. Reparou também numas escadas que subiam de forma espiral. Antes que pudesse observar mais alguma coisa, Vinicius falou quebrando-lhe a atenção.
- Bem já é muito tarde e as ordens que tenho são de vos deixar deitadinhos e quietinhos, portanto, ‘bora para cima!
Subiu as escadas e parou à frente da primeira porta.
- Este, aqui, é o dormitório das raparigas. Atenção! Ninguém entra no dormitório de ninguém! Vocês, meninas, podem ficar já aqui. Boa noite! – desejou ele começando a subir o resto das escadas circulares que sobravam e abriu uma outra porta. Pôs-se, no entanto, à frente deles.
- Eu disse há pouco tempo que ninguém podia entrar no dormitório de ninguém, só que menti. Na verdade, as raparigas podem entrar nos dormitórios dos rapazes. – um leve descontentamento percorreu a cara dos rapazes. - Não o disse à frente delas apenas para, pelo menos hoje, não serem incomodados com visitas nocturnas.
Dito isto desviou-se. Os alunos entraram e depararam-se com uma sala cheia de camas. Cada cama tinha um baú aos pés e ao lado a bagagem de cada aluno. Albus procurou imediatamente a sua, pelo que a encontrou mesmo ao pé da janela.
- Eu tenho de tratar de umas coisas ainda. Vocês é melhor deitarem-se e dormirem. – aconselhou regressando à porta – Amanhã vão ter um dia muito comprido! Boa noite! – e fechou a porta.
Não houve muita conversa. Os rapazes vestiram os pijamas e trocaram apenas uns rápidos “Até amanhã!”. Assim que todos se deitaram, a luz apagou-se.
Albus quase não conseguia dormir. A excitação do dia seguinte consumia-o. Eram quase três da manhã quando finalmente conseguiu adormecer, já quase todo destapado. A noite, lá fora, parecia ter mandado embora as estrelas, como se também ela se preparasse para um novo dia.

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