Continuavam a rir daquilo que Scorpius dissera a Connor até um homem alto, moreno e cheio de cicatrizes se aproximou deles.
- Com que então já cá estao... – começou ele fazendo-os saltar, pois não o tinham visto. – Ah, ah! Apanhei-vos, han?!
O homem avançou para a secretária que se encontrava à frente das mesas dos alunos. Assim que se sentou, a sala começou a encher-se de pessoas, uns dos Slytherin e outros dos Gryffindor. Claire apareceu radiante na sala e correu aos braços do pai. Ele abraçou-a com carinho.
- Deve ser mesmo difícil ter pais assim, tão ausentes... – comentou Scorpius ao ouvido de Albus.
- É, mas acho que ela já se habituou. – deu-lhe este por resposta.
Neville largou finalmente Claire e, assumindo agora a sua postura de professor, mandou-a para o seu lugar, piscando-lhe o olho. Claire obedeceu-lhe e, quando se sentou, tentou mostrar-se o mais atenta possível.
- Bem... – começou Neville, um tanto ainda emocionado – Antes de mais, bom dia!
Um ruidoso “Bom dia” ecoou na sala, vindo dos alunos.
- O meu nome é Neville Longbottom e serei, nos próximos anos em que aqui ficarem, o vosso professor de Herbologia. Certamente sabem o que quer dizer a palavra Herbologia... – vendo que a maior parte dos alunos se entreolhava em busca de uma resposta, Neville afirmou um pouco mais alto – Mas caso não o saibam, que é o que me parece, podemos pedir à Miss Weasley que nos esclareça, sim?
Rose ficou espantada por Neville se mostrar tão interessado em ouvir a sua explicação.
- Hum hum! – disse, limpando um pouco a voz. – Herbologia é o nome que se dá à disciplina ou área que estuda as ervas, as plantas, as flores, ou até mesmo os animais que se relacionam com a mesma. Através de feitiços de recolha ou captação, ou ainda através da remoção manual do corpo de uma planta, é-nos possível, em Herbologia, verificar se o suco que este contém é benigno ou maligno, isto é se nos cura, ou nos...
- Nos mata! Muito bem, Rose, parabéns! Dez pontos para os Gryffindor. – declarou, sorridente Neville, que escutara Rose com entusiasmo. A turma tinha ouvido Rose, estupefacta. Os Gryffindor admiraram-se com tanta rapidez e certeza em responder, enquanto que alguns dos Slytherin se mostraram apreensivos pela equipa adversária ter conseguido logo dez pontos de uma só virada.
- Agora que já estão esclarecidos pela vossa colega quanto à minha disciplina, quero mostrar-vos uma planta que não é muito conhecida no mundo dos mágicos, mas que os muggles devem conhecer ou pelo menos já devem ter ouvido falar.
Neville entrou num armário que se encontrava atrás de si e saiu de lá com um vaso castanho com uma planta verde por fora e rosa por dentro. A parte rosa da planta era protegida por duas abas verdes, que pareciam lábios, e que estavam revestidos por espinhos também verdes. Pousou-a em cima da mesa e com cuidado para não se picar, acariciou a parte rosa. Rapidamente teve de tirá-la pois a planta atacou como se tivesse sido acordada. Os alunos gritaram de surpresa. Não estavam mesmo nada à espera que a planta ganhasse vida de um momento para o outro.
- Então vamos lá a saber... – começou enquanto virava a planta que abria e fechava a boca para eles. - Qual de vocês sabe que planta é esta?
Ao contrário do que todos esperavam a primeira mão a esticar-se no ar não foi a de Rose. A mão de Claire abanava-se na ânsia de responder. A cara de Rose ficou novamente vermelha.
- Bem, Miss Longbottom...filha – pronunciou um pouco mais baixo esta última palavra – O que tem para me dizer?
Claire ficara boquiaberta com a forma como o pai a tratara. Nunca esperara que ele lhe chamasse “Miss Longbottom”. No entanto, disfarçou os seus pensamentos e, apesar de também um pouco corada, seguiu em frente com a sua resposta.
- Essa planta chama-se Dionaea, e é a única planta mágica carnívora originária no mundo dos Muggles, isto é...ah, é a única que cresce em terra onde não existem feiticeiros...No auge da sua vida, produz um suco muito poderoso que faz qualquer um transformar-se no que desejar! Para além disso... – franzia a testa tentando lembrar-se de mais coisas – Ah! Para além disso, se for tratada com feitiços corre o risco de morrer e de não produzir o suco.
Acabada a explicação Claire ficou a olhar para o pai, como se esperasse que ele a lembrasse de algo que ela esquecera. Contudo, Neville sorriu e afirmou, orgulhoso:
- Mais uma excelente explicação dos Gryffindor! Claire, dez pontos!
Claire sorriu, também orgulhosa de si mesma. Neville prosseguiu com a análise da planta. Depois de lhes ensinar o nome de cada parte da planta, pediu que um a um viessem tentar acalmá-la. Albus aproximou-se dela, mas como teimava em meter-lhe a mão na parte cor de rosa, que eles ficaram a saber ser a boca, só a conseguiu irritar mais. Scorpius, Rose e até Claire, que percebia muito de plantas, tentaram sem sucesso. Já todos, inclusive Neville, tinham, desistido de a acalmar quando esta relaxou nas mãos de Niamh. Neville, satisfeito com a prestação desta disse que tinha uma surpresa para ela no final da aula. Assim, quando a aula terminou, Niamh saiu para a rua com uma miniatura de Dionaea, que parecia ainda adormecida. Porém Albus, Scorpius, Rose e Claire ficaram na estufa.
- Muito bem, meninos...Muito bem! – apreciou Neville enquanto mudava a Dionaea grande, do vaso castanho para um amarelo. – E tu, Claire....sempre leste aquele livro que te enviei!
Claire sorriu mas depressa baixou a cabeça. Neville, preocupado, baixou-se para ela e perguntou-lhe o que se passava. Contudo ela disfarçou mais uma vez e disse que estava tudo bem. Esperaram pelo pai de Claire e, juntos, regressaram finalmente à escola. Neville disse que os levava a ver a escola antes do intervalo acabar, só que se lembrou de algo que tinha que fazer na biblioteca, e tiveram de adiar o “passeio”. Scorpius reparou que Claire estava ainda mais calada depois disso e tentou perguntar-lhe o que se passava, mas ela esquivou-se novamente dizendo que estava ansiosa por começar a escola. A campainha tocou e eles voltaram a consultar o horário. Iam ter poções nas masmorras e, por isso, começaram a andar. Desceram as escadas e repararam que as paredes, que nos outros andares eram acolhedoras, ali estavam despidas de qualquer calor.
- Ali é a sala comum da minha equipa! – disse Scorpius apontando para uma porta ladeada por duas tochas bem acesas. – Portanto, a sala de poções deve ser por aqui... – continuou abrindo uma porta mais à esquerda. No entanto, essa porta fora dar a um outro corredor. Eles seguiram esse corredor e foram dar, finalmente, à sala. Nela já se encontravam alguns alunos de Slytherin. Estavam a conversar animadamente e a treinar feitiços que haviam aprendido com os colegas mais velhos. Scorpius apresentou-os aos amigos e juntaram-se todos a mostrar o que sabiam de magia. Rose espantou todos mostrando como já sabia fazer o feitiço de escudo invisível, um feitiço demasiado avançado para a sua idade. Começavam a chegar mais pessoas e eles resolveram sentar-se. A porta abriu-se e, desta vez, em vez de mais alunos, entrou um homem alto e ruivo, de barba comprida. O homem pôs-se atrás de um caldeirão preto e desejou bem alto os “Bons dias”.
- O meu nome é Zapatero Tryonara, e vou ser, se cá ficar e não morrer prematuramente, o vosso “stôr” de Poções!
Um leve burburinho percorreu sala. “ Ele disse stôr?!” perguntavam-se todos uns aos outros. Nenhum deles esperara encontrar alguém assim, tão estranho, na escola, muito menos que esse alguém fosse um professor. Naquele momento, até Rose não conseguiu suster a surpresa.
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